sábado, 5 de maio de 2007

A (pobre) cidade de Townsville

Existem centenas de diferenças entre o universo fantasioso dos super-heróis e essa bosta em que a gente vive. Os super-poderes, as características psicológicas dos vilões, a facilidade imensa com que se define que é o bem e quem é o mal. Porém, entre todas as discrepâncias, a mais significativa é a maneira com que os personagens lidam com o cenário.

Enquanto na vida real a cidade, os prédios, os carros são ídolos sagrados da nossa religião urbana, no mundo dos super-heróis são apenas maquetes de isopor, que se destróem com a mesma facilidade com que se troca de roupa numa cabine telefônica. Enquanto o Homem-Aranha põe abaixo uma dúzia de prédios enquanto luta com algum vagabundo e é aclamado, Osama Bin Laden derrubou dois e é o cara mais procurado do universo.

Na heroilândia, a vida de anônimos não vale merda nenhuma. A gente só vê o coitado que tá pendurando na janela enquanto o fogo toma conta da construção, mas esquece dos outros vinte e seis que já foram carbonizados só porque o Batman desviou da bomba. Na vida real, a vida de anônimos também não vale nada, mas ao menos eles viram números para as estatísticas.

É muito fácil ter um robô gigante quando você tá cagando pra quem está sendo pisado lá embaixo. Imagina o Jaspion limpando a sola do pé do Daileon depois de uma batalha. Tudo isso porque no universo dos heróis os fins justificam os meios, então tudo fica incrivelmente fácil. O que é até compreensível: de complicado, arrastado e chato, eu já tenho a minha vida. Vamos nos divertir no mundo ideal, então.

2 comentários:

Marceli disse...

Hoje será divertido e será real, ao menos parecerá!rs
Ligaremos pra ti!Tb quero assistir estes...vai dar uma briga isso!!rs
Bjos...

Lubel disse...

Eu ri alto com o terceiro paragrafo!
Voce tem o dom... otimo texto Padula.
Eu pensei em algo aqui... depois faço uma ponte do meu pensamento no seu texto, dae eu te passo!