sexta-feira, 25 de maio de 2007

AMaria

Ter um animal de estimação dentro de casa muda muita coisa, quando você não está habituado a tê-los por muito tempo. Meu último bicho foi um gato, o Jamanta, mas ele sumiu daqui há uns 6 anos. Ano passado, agregamos a Maria à família, e ela foi o primeiro cachorro a viver por aqui.

Dentre as coisas às quais você precisa se readaptar está a própria geografia da casa. Antigamente, eu conhecia o mapa do lar de cor e salteado, e caminhava tranquilamente por aqui no escuro, sem precisar me preocupar em perder a unha do dedinho do pé no sofá ou coisa assim. Hoje, andar pela casa com a luz apagada é cavalgar em campo minado. No banheiro, então, risco dobrado: antes mesmo de entrar, eu estico o braço lá dentro e acendo a luz. Certa vez esqueci de fazer isso e havia mais coisas entre meu All Star e o piso do que poderia sonhar minha vã filosofia (e agradeço a deus por ter me iluminado a não tirar o tênis antes).

Você também passa a ter uma noção mais vertical da moradia. Maria é um monstrinho devorador de coisas, então já não deixamos mais nada no chão, e toma chinelo e meia e pano de chão e blusa e cobertor e tupperware empilhado em cima da estante. Mas ela ainda prova a cada dia que é mais inteligente que todos na casa e rouba algo em algum lugar que considerávamos inalcançável.

Eu moro numa espécie de cortiço, com vários outros parentes, e, poucas exceções, eles não gostam da minha menina. Mais por preconceito contra a família canina que algo relacionado a Maria mesmo. Mas não gostam, e ela também não ajuda nesse sentido: toda vez que entra algum desconhecido dela no quintal, ela se dana a latir, perturbando os velhinhos e a bebê que tenta dormir (fico imaginando se ela não está em coma, porque aparentemente está dormindo o tempo todo).

Mas, mesmo com tudo isso, é muito melhor com Maria do que sem. Porque ela fica alegre e pulativa quando eu chego em casa, lambe minhas frieiras e dança quando eu toco Twist and Shout no violão. Com tudo isso, quem liga pra um cocôzinho aqui, uma meia furada ali ou uma criança traumatizada acolá? Eu não.

3 comentários:

bb disse...

É isso aí Padula. E viva à virgem Maria.

EgG disse...

Certa vez ouvi um sábio dizer:
"Cuide bem de seus animaizinhos de estimação, pois eles são os únicos que quando você chega em casa te tratam como se fosse um Beatle!"

Erika Stark disse...

Me pergunto, o que aconteceu com a pobre Maria 10 anos depois. Acho que consigo encontrar procurando pelos seus posts.

A minha familia tem preconceitos com a familia canina e a de felinos, em especial, a de felinos.

É por isso que, vai demorar até eu ter um amiguinho aqui em casa. Triste