Todo mundo já deve ter passado por isso: você é criança, suja e babona, e imagina como sua cabeça será completamente diferente quando for adulto. Repare: não a vida, a cabeça. Você acha que não vai continuar gostando das mesmas coisas, querendo as mesmas coisas, agindo da mesma forma. Aí você cresce e continua gostando das mesmas coisas, querendo as mesmas coisas e agindo da mesma forma. E continua sujo e babão.
As coisas que te fazem sentir-se adulto estão nos detalhes. Não tem nada a ver com responsabilidade, com ganhar dinheiro, com essa baboseira toda. Isso é tão natural no fluxo da vida que quase não dá pra sentir. Ao menos pra mim, o que me fez perceber que eu estava crescendo foram detalhes tão pequenos, tão bobos, que estiveram perigosamente perto de passar despercebidos.
O primeiro deles é sentar no banco da frente do carro. No banco do passageiro, não do motorista, porque dirigir é uma profissão, é algo que você exerce de maneira quase forçada. Ser o passageiro do banco da frente exige uma coisa que autoescola não resolve: exige reputação. Durante toda minha vida, era meu pai dirigindo, minha mãe ao lado, meu irmão e eu atrás. Um dia, minha mãe foi para o banco de trás e, quando vi, o da frente estava vago. Anos depois, entendi o que isso queria dizer: que eu estava quase no topo da pirâmide da hierarquia familiar. Quase no topo porque estar efetivamente no topo te deixa poucas opções confortáveis de lugar pra sentar, if you know what I mean.
Dar presente é outra coisa. Eu não sei vocês, mas eu nunca ganhei mesada e trabalhei ganhando um salário de fome durante muito tempo. E também nunca ganhei muitos presentes, o que não ajudou a criar essa cultura. Dar presente é algo que transcende a relação comercial, o lance de chegar na loja e comprar algo pura e simplesmente, porque é uma maneira de você dizer que gosta de uma pessoa de verdade. De verdade porque, vamos lá, beijos e abraços e palavras são legais, mas não servem pra bosta nenhuma. O importante é ter algo pra ostentar ou usar. E aí está o desafio: precisa ser algo que a pessoa goste e queira usufruir. No fim de tudo, além da declaração de afeto, vem o mais importante: a necessária reciprocidade. A deu um presente pra B, então B se sente na obrigação de retribuir A, e daí A está, temporariamente, no comando da relação. Ser adulto é, acima de tudo, ser filho da puta e saber manipular pessoas.
O terceiro fator são as dívidas calculadas. Não a que você faz por não ter escolha, a que você faz por ser zoiudo. Exemplo: eu tenho um débito com a Caixa Econômica Federal, que financiou minha faculdade, até 2014. Isso não faz eu me sentir mais velho. Mas no último fim de semana, quando paguei as duas prestações restantes do carnê do Ponto Frio, senti como se me arrancassem 15 anos das costas. Porque ser responsável não significa não ser irresponsável: eu PRECISAVA de um monitor de 22 polegadas e não tinha um centavo, então fiz um crediário e paguei três vezes mais do que ele vale. Irresponsável e burro, como deve ser um adulto.
Como você pode ver, é preciso estar atento às sutilezas da vida pra não se deixar enganar pela pilha de jogos de video game e DVDs de desenhos animados que ficam jogados pelo quarto. Porque adulto e criança é tudo igual, só muda a casquinha.
(e a necessidade de foder, mas isso estragaria a doçura do texto)
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Se você é jovem ainda, amanhã velho será
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Thiago Padula
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009
I've been loving you too long (to stop now)
No dia 18 de julho de 2009 foi aniversário de 51 anos da minha mãe (e o primeiro que vier com qualquer coisa sobre "boa ideia" leva uma estilingada; com mãe não se brinca fazendo piada ruim). Mas à noite aconteceu também o show da Cat Power em San Pablo, de modo que eu dei um beijo na velha, vesti minha roupa de missa, fiz a barba, pus as lentes de contato e fui ao encontro da mulher por quem meu coração-platão bate há alguns anos (prova e prova).
Então ela tava lá, toda linda e pouco falativa no palco, desfilando um monte de covers do seu último e ótimo álbum, Jukebox, mais algumas de fora do disco (Fortunate Son, Angelitos Negros, House of the Rising Sun) e do The Covers Record (Sea of Love) e um punhado de músicas dela mesma, incluindo uma versão bem esquisita de I Don't Blame You - ela deve ter aprendido com o Bobão esse negócio de distorcer as próprias canções a ponto de torná-las irreconhecíveis.
Enquanto isso, eu ficava sentado e cantava junto bem baixinho, com os pés balançando igual a uma criança (ou um idiota). Então lá no final do show ela chega na beirada do palco e começa a distribuir flores pra
Então eu fui pra casa, de alma lavada e coração partido. E esse é mais um daqueles posts que eu devia ter escrito meses atrás e fiquei com preguiça e escrevi agora pra preencher a falta de assunto.
Os desprovidos de caráter chamam isso de 'calhau'.
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Thiago Padula
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domingo, 8 de novembro de 2009
Porra, caralho!

A vida é uma caixinha de bosta. Fiquei reclamando por haver dois festivais no mesmo dia, de ter que escolher entre Faith No More e Primal Scream e patatí e patatá; no fim das contas, optei pelo Faith No More; no fim mais finzinho das contas, não comprei ingresso pra nenhum; aí antes de acabarem os créditos, plim!, ganhei a entrada pro Maquinária, que além da trupe de Mike Patton ainda tinha Nação Zumbi, Sepultura, Deftones e Jane's Addiction.
Cheguei já no meio do Jane's, que fez um show bem bom, com o Perry Farrell veadaço pagando pau pro Dave Navarro, que praticamente comeu a guitarra no palco. Been Caught Stealing fica muito melhor ao vivo, mas o grande destaque mesmo eram as duas gostosas seminuas que passeavam pelo palco. Não é um show pra família, senhoras e senhores.
O show do Faith No More, veja bem, era aquele tipo de show que não podia dar errado. Mas também não precisava ser tão... meu deus.
Mike Patton é um demônio no palco. Canta muito - Korn e System of a Down que o digam -, conversa o tempo todo em um inacreditável bom português - habilidade que ele deixou bem clara quando cantou Evidence inteirinha com uma letra absurda no nosso idioma querido -, engole o microfone pra vomitar em seguida, estrebucha pelo chão, vai até a platéia, incentiva todo mundo a gritar 'porra, caralho!' - again, não é um show pra família - e derrama carisma sobre um bando de gente molhada que ria feito besta. Não vou miguelar elogio: foi o melhor performer que eu já vi num palco. Ganha até do Iggy, e por uma boa distância.
O setlist foi quase perfeito, só devendo pela ausência óbvia de Falling to Pieces. De resto, tava tudo lá: From Out of Nowhere, We Care a Lot, Last Cup of Sorrow, Surprise! You're Dead, Easy (pois é), Evidence, Caralho Voador, Ashes to Ashes, Digging the Grave, Midlife Crisis e Epic, que provavelmente foi o ponto alto da bagaça. Puta show, que só não encabeça a lista dos melhores do ano porque isso significaria bater o Radiohead.
O legal mesmo, e que eu não contei ali em cima, é que o tal ingresso que eu ganhei era pra área VIP. Rá! Não me levem a mal, mas é tipo limpar o cu a vida inteira com folha de bananeira e então te apresentarem o papel higiênico. Eu nunca mais quero ir na folha de bananeira. Quero as regalias, quero ficar perto do palco, ganhar brindes legais, ficar rodeado de sub-celebridades - pra você ver a situação, na minha frente estava o cara que ganhou esse último Big Brother, cujo nome eu não sei, mas suponho que tenha um metro e noventa de altura, feladaputa.
Aí você vai achar que eu sou playboy e esnobe. E eu direi: 'caguei'; quando eu quero opinião de pobre, pergunto qual o melhor alvejante pra minha governanta. Recolha-se à sua insignificância.
Não me abandone.
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Thiago Padula
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sábado, 7 de novembro de 2009
Beber, cair, levantar
Terminei de ler há pouco (tipo no ônibus, antes de chegar em casa, cinco minutos atrás) a autobiografia do Eric Clapton, ídolo eterno porque passou a jiromba na Pattie Boyd e furou os olhos do George Harrison ao mesmo tempo, o que me fez decidir que meu filho vai se chamar, definitivamente, Ericlepton. O livro é bom, legal e sincero. Aí chega no ponto em que o amigo Eric larga a bebida e passa a viver uma vida de sobriedade. Acho ótimo pra ele e pra família, mas o livro de repente fica um saco.
Vão-se as orgias, as drogas, a destruição, as brigas, as músicas ruins. Ficou apenas o cotidiano. Veja esse trecho:
Depois do almoço nos despedimos de todos e fomos até Jamie Lee montar equipamento para a caçada. Jamie e sua esposa, Lydia, têm [futuro sic] duas garotas adoráveis, Jessica e Georgia, que são um pouco mais velhas que as nossas e se deram otimamente com elas; Paul Cummins também estava vindo com a esposa, Janice, e o filhinho, Jamie, de modo que estávamos todos empolgados com os dias que se seguiriam.
Longe de mim vir aqui criticar Deus. Meu pai parou de beber há pouco mais de um ano, depois de passar 37 dias no hospital, 25 dos quais na UTI, fazendo o favor de não morrer devido a uma pancreatite causada pelo alcoolismo. Depois disso, a vida aqui em casa tem sido incrivelmente boa, provavelmente pela forçada mudança de perspectivas de que eu falo nesse post. Então se o problema não é com o Eric, com quem é?
Comigo. Veja bem, eu não bebo - provavelmente culpa do seu Armando, mas não vem ao caso - e, pelo que pude observar pelo livro, eu devo ser chato pra cacete. Conversando e escrevendo. A rotina do Eric Clapton envolve tocar todos os maiores músicos de quem já se ouviu falar e fazer cruzeiros pelas praias do mundo num barco luxuosíssimo. A minha se resume a acordar, trabalhar, ir pra casa, fazer um sexo, lavar a mão e dormir. Cadê os casos de infidelidade, as loucuras, os arroubos de genialidade, a contemplação do suicídio, as doenças poderosas? Tomando Toddynho, o máximo que eu já consegui foi uma caganeira. Convenhamos, ficar um dia inteiro no banheiro me desfazendo em bosta não é lá muito digno de virar parágrafo em livro (blog é outra história).
Pronto, agora está claro que eu sou chato. Posso ser mais chato um pouquinho? Se, quando você leu 'cadê os casos de infidelidade' ali em cima, pensou imediatamente na mão esquerda, esse parágrafo serve só pra te tirar essa piada fácil. Abraços.
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Thiago Padula
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Yesterday / All my troubles seemed so far away
O lugar onde eu trabalho é, dentro dos limites do profissionalismo, um local divertido. A gente canta, grita, faz piada e fica uma hora na padoca durante o expediente. Daí que ontem, graças a uma iniciativa mó legal - e deveras assustadora, certeza que vem uma tora na nossa bunda depois -, fui com alguns coleguinhas para um lugar afastado desse mundo horroroso participar de uma jam session que durou o dia inteiro, durante o horário de trabalho.
A gente levou os instrumentos - inclusive o Brito levou aquela guita linda que eu deixei de roubar por muito pouco -, a empresa descolou o equipamento de som e assim passamos uma ensolarada sexta-feira descarrilando alguns clássicos da música pop, de Magal a Nirvana, de Tim Maia a Lynyrd Skynyrd. Desses, só o Nirvana foi salvo da minha blablableação, mas nenhum passou incólume à minha sempre declarada - e agora comprovada - falta de talento. Caguei; como diz aquela música dos Stooges, my idea of fun is killing everyone.
Mas legal mesmo, repara o sadismo, foi estar num lugar lindo a sei lá quantos quilômetros de São Paulo estuprando o rock'n'roll enquanto todos os coleguinhas - e provavelmente você também - ficaram sentados na frente do computador o dia todo, agradecendo pelo menos por ser sexta-feira.
Melhor dia útil de todos os tempos.
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Thiago Padula
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Semcordefinida Drama
Quando éramos jovens e cheios de sonhos nas ruas da Vila Miriam, e o tamanho do pênis não era um fator que incrementava a reputação, ficava por cima na cadeia social quem soubesse mais versos de 'Fim de Semana no Parque', dos Racionais MCs. Eu, sempre o leproso, só sabia o refrão, que era ridículo: 'Vamos passear no parque, ô / Fim de semana no parque / Vamos passear no parque, ô / Fim de semana no parque Santo Antônio Santantônio santantônio ....'
Perdi a época de 'Diário de um Detento' e 'Capítulo 4, Versículo 3'. Em parte porque meu gosto musical tinha zarpado pra outros mares (Os Travessos, Kiloucura), mas principalmente porque nessa época o tamanho do pênis já era um fator. Digo, Winning Eleven. A habilidade no Winning Eleven. E, pra variar, eu era a escória.
Por causa do Winning Eleven.
Daí chegou 'Negro Drama', vice-hino da geração pé-rapada anos 2000. Tem um trecho que é assim:
Problema com escola eu tenho mil, mil fita
Inacreditável, mas seu filho me imita
No meio de vocês ele é o mais esperto
Ginga e fala gíria
'Gíria não, dialeto'
I was just 17, if you know what I mean, e na época criei um email com o trecho italicado ali em cima: seufilhomeimita@ig.com.br. Vai, todo mundo teve um período na vida em que desandou a criar emails bestas - tudo bem que normalmente eles eram coisas com 'gatinha' e 'surfista' e tal, mas ainda assim eu estava respaldado. Então vai-se o tempo, seguem-se os penduricalhos tecnológicos, e todas as pessoas da minha idade mudaram seus emails identificadores por coisas mais austeras, tipo nome.sobrenome. Porque é natural, já que chega uma hora que você precisa levar a vida a sério e não pode colocar um negócio bizarro no currículo.
Mas, corrigindo a sentença anterior, houve uma pessoa que manteve seu email escroto: eu. Quero dizer, o do iG lá de cima morreu - dando lugar ao nome.sobrenome@gmail.com - mas o MSN mantem-se firme, forte e vida loka. Lá no trabalho, toda vez que algum respeitável colega me pede o messenger, pra trocarmos informações profissionais importantes e sisudas, costuma dar-se o seguinte diálogo:
- Padula, me passa seu MSN.
- seufilhomeimitaarrobahotmail
- Que?
- seufilhomeimitaarrobahotmail
- Hein?
- seufilhomeimitaarrobahotmail!
- ...
- ...
- Porra, Padula.
Depois de sete anos, ainda me sinto muito envergonhado toda vez que preciso dizer essa merda. E não dá pra trocar agora, porque a) eu tenho preguiça; b) já fui premiado com esse endereço de messenger. - um prêmio que eu próprio ajudei a organizar, é verdade, mas garanto a honestidade da eleição; e c) apesar disso tudo, ele tem uma certa arroganciazinha besta que me cai muito bem.
E assim, a história da minha vida foi contada por meio de um endereço de email. No próximo capítulo, exporei minhas perturbações psicológicas explicando a diferença entre memória e HD. Não saiam daí.
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Thiago Padula
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009
It's a long way to the top if you wanna rock 'n' roll
Não sei se eu já escrevi isso aqui alguma vez, mas imagino que dê pra presumir: eu tenho a maior vontade de fazer música. Estar numa banda, tocar pra gente, comer umas fedidas com tatuagem feia dos Rolling Stones no cóccix. Pra ser direto, se tivesse que listar as coisas que eu nunca fiz e quero fazer, o primeiro lugar seria parar de dar a bunda toda semana fazer um show pra um monte de gente. Estive perigosamente perto disso não faz muito tempo - lembra? - mas acabou não indo além de dois ensaios. Não sou de comparar épocas, mas se estivéssemos em 1977 minha falta de talento seria minha glória.
Na última sexta-feira chegou meu The Beatles: A Biografia, monobloco de três milhões de páginas sobre um determinado assunto aí. Se antes essa ideia de ser um deus do rock era só um foguinho que crepitava discretamente, agora estou completamente em chamas. A cada parágrafo eu jogo o livro pro lado, pego o violão e faço um sol trastejar como uma arara sendo abatida durante seu canto.
Mãs, sacomé, pra fazer esse negócio de rock 'n' roll precisa de três coisas: habilidade, atitude e algum tipo de conectividade social. Ter amigos que gostem da mesma coisa que eu ajuda - mais uma 'jam session' em que tiver de tocar Fernando e Sorocaba e eu me enforco com a mizinha. - Pensando nisso, decidi comprar um Guitar Hero.
(Vou aqui poupar vocês de detalhes sobre a briga Guitar Hero x Rock Band; o dia em que os instrumentos do segundo funcionarem no primeiro, a gente conversa)
Porque o Guitar Hero reune algumas coisas que podem ser interessantes: não precisa estudar nenhuma bosta de instrumento durante anos; faz tanto barulho quanto o volume da TV permitir; não tem Fernando e Sorocaba no tracklist. Além disso, um jogo desses tem o mesmo efeito da bola de capotão na meninitude: junta um monte de interesseiro ao redor. E isso não é um defeito, se estivesse procurando uma amizade verdadeira eu estaria no chat do UOL.
E assim, com um Guitar Hero e um frigobar, esse blog encerra suas atividades. Grande abraço.
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Thiago Padula
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