sexta-feira, 20 de julho de 2007

Sensacional

Um dia tem o Panamericano, um troço que celebra a saúde, a vida plena, e toda a atenção da mídia está lá. No dia seguinte, um avião se espatifa contra um prédio e tome a mídia mudar de vedete, a dama da morte, sempre estrela das atenções.

Não sei que tipo de paixão mórbida a gente tem pela morte, mas ela é forte. Basta um carro se enfiar debaixo de um ônibus e um coitado ficar com a cabeça suando sangue e tem lá uma dezena de pessoas que simplesmente abandona suas tarefas - que não quiseram abandonar pra levar a tia doente ao hospital - pra assistir o pobre agonizar até a morte entre cacos de vidro e bombeiros.

Quanto mais mortos, melhor. O 11 de setembro, o Katrina e o Tsunami são alguns dos clássicos recentes da pauta cotidiana do mundo. E repare que a gente sempre gosta mais quando é algo espontâneo, como um acidente ou uma ação terrorista isolada. Guerra, bandidagem, isso tudo não é tão legal, porque as mortes estão sempre no script. Falando em script, a criatividade no desenvolvimento do plot é importante: uma cratera numa construção de metrô é algo que não se vê sempre por aí.

Na moral, eu não agüento mais essa porra desse avião. Todo dia alguém levanta uma dúzia de irregularidades e hipóteses que poderiam ter causado o acidente, e teoria conspiratória é coisa de criança que brinca de gangue. Ok, foi uma catástrofe, as causas precisam ser apuradas, as vítimas adjacentes indenizadas e tudo precisa servir de aprendizado pra que isso nunca mais ocorra, mas ficar voando sobre o assunto como um bando de urubus sobre a carne fresca é deprimente, e um belo retrato desse nosso mundo em que a exclamação vale mais que o alfabeto inteiro.

2 comentários:

Anônimo disse...

caramba...

enlutado disse...

Não há espaço aqui pra piadas.
Parabéns pelo texto!