quarta-feira, 25 de julho de 2007

Eles não usam black-tie

Um dos grandes indícios de que a sociedade às vezes é retrógrada demais em coisas simples é o uso de roupa social. Se você andar na avenida Paulista, por exemplo, em um dia útil, vai ver que a esmagadora maioria das pessoas se traja socialmente, afinal estão em horário de serviço.

É incrível como a gente avança em tantos pontos como tecnologia, cura de doenças e consciência sobre o meio ambiente e simplesmente se recusa a admitir que conforto é importante. Roupa social é o tipo de coisa que se usava há decadas, séculos atrás, quando ainda não haviam inventado a camiseta e o tênis. Camisa, gravata, sapato, salto, terno, são coisas difíceis de usar, desengonçadas, pesadas e desconfortáveis. As pessoas já estão perdendo metade de seus dias em escritórios, porque tornar tudo ainda mais insuportável?

O que me parece é que é um tipo de tradição que a gente não pode tocar. Prova disso é a invenção de um negócio chamado sapatênis, que é, supostamente, um sapato com leve aparência de tênis. Nada, aquilo é tênis puro, mas a gente chama de sapatênis pra parecer que é sapato, e se é sapato, pode usar com roupa social. Quem estamos querendo enganar? Por quanto tempo ainda vamos admitir esse cabresto que controla nossas vidas? Já quebramos tantas convenções e tradições, hoje usamos camisinha, trepamos sem casar, nos divorciamos, não apanhamos mais dos professores na sala de aula, as mulheres votam e trabalham, os negros estudam e os japoneses podem ser encontrados longe das feiras e das barracas de pastel. Mesmo já tendo passado por tudo isso, ainda nos vestimos como no século 19.

E olha, desculpa dizer, mas o mundo tá acabando, ou a gente começa a ir trabalhar de bermuda e chinelo ou o aquecimento global nos consome.

Ou teria sido o ar-condicionado inventado só pra evitar que morrêssemos de calor e nos rebelássemos? Hum, boa pergunta...

Em tempo: eu me visto de tênis e calça jeans no trabalho, mas às vezes posso sentir os olhares atravessados. Eu sei que estão olhando, eu sei...

Um comentário:

caboclo disse...

Olha Padula, tem gente que já usou tanto terno e gravata que, de certa forma, aquilo tornou parte dele, e hoje não mais consegue viver sem.
Me recuso a isso.
Todo mundo do seu trampo trampa de social?