quinta-feira, 26 de abril de 2007

O país dos bambas

Na casa do Martinho da Vila todo mundo é bamba, pois todo mundo bebe e todo mundo samba.

Eu não sou bamba. Não bebo e nem sambo, embora curta ouvir um sambinha e estar numa mesa com amigos enchendo a cara. Isso faz de mim, portanto, um bamba passivo. Mas ainda não estou pronto pra ser um bamba de verdade, pois bambas de verdade não ouvem Faith no More nem bebem Toddynho no domingo à tarde.

Essa coisa do bamba, do malandro, e todos esses personagens que o samba inventou pra alegorizar o folclórico lema 'sou pobre mas sou feliz' são típicos do brazilian way of life. O brasileiro é um povo predestinado a ser pobre e desgraçado. Não vou repetir as razões, se você já teve aula de história na escola ou saiu de sua casa pelo menos uma vez na vida sabe porque. Ser pobre faz parte da nossa cultura. Quando os militares tentaram nos enfiar goela abaixo o milagre econômico e o amor pela nação, eles sabiam o que faziam: o milagre servia pra deixar os pobres mais pobres, e portanto, mais brasileiros.

Todo mundo tem o direito de mudar, de querer algo melhor. Mas quando ouço todas as pessoas que passam pelo poder nesse país falarem sobre crescimento econômico, desenvolvimento sustentável e etcétera, eu fico pensando se isso não inverteria todo o fluxo das águas pelas quais o Brasil navegou pelos último 507 anos. E se deixássemos de ser bambas, e ficássemos ricos e tristes? A suposta 'alegria', o eldorado do mundo moderno, é uma das características do Brasil, o país da caricatura. Imagine se virássemos um país morto por dentro!

Bem, se você discordou de pelo menos 50% do que eu escrevi, ou ao menos detectou a ironia, tá oquêi. Mas se você concorda comigo, filho, bora pegar um pandeiro e rir nossa felicidade de papel.

2 comentários:

Morto de frio disse...

Sei lá pra quem vc tá escrevendo esse texto...
Mas pegar um monete de minas é motivo de orgulho.

Thiago Padula disse...

Você percebeu que comentou no post errado, né? E também não entendeu a comparação com o assassino, mas eu assumo a culpa: foi ruim mesmo.