quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Sobre computadores e replicantes


Eu estava enfrentando alguns problemas com meu computador que já se arrastavam havia alguns meses, e basicamente me impediam de trabalhar com programas pesados nele (e um computador que não abre o Photoshop é tão útil pra mim quanto um teclado sem a letra A). Como diz aquele velho clichê mentiroso, 'ano novo, vida nova', e lá fui eu pra Santa Efigênia comprar um novo e poderoso PC.

Sabe aquele velho lugar comum do cinema, sobre as máquinas se rebelarem contra os seres humanos e tal? (2001, Blade Runner, Mega Man - esse não é cinema, mas abraça a idéia batida) Bem, isso começa quando elas desenvolvem a noção de ego, e nesse caso, permita-me dizer, estamos próximos do fim: meu computador novo e voador, metido que só, se recusou a trabalhar com meu velho monitor de tubo.

Então vai o humano apaziguador fazer um crediário no Ponto Frio e comprar um monitor novo. Cheguei lá, dei um murro no balcão e gritei: 'me dá o melhor que tiver nessa porra!'. Aí fui pra casa com um tropeço de 22 polegadas debaixo do suvaco.

Se eu já tinha motivos pra me preocupar com o motim das máquinas antes, com uma simples rusga entre o computador novo e o monitor velho - que, afinal de contas, são duas máquinas -, agora eu estou a-pa-vo-ra-do. A tela nova é tão grande que assusta. Não é aquela coisa branca e sofisticada e blasé de um Macintosh, que o máximo que poderia fazer é me dizer um 'há' de desprezo e virar-se de costas; é um Samsung preto, enorme e que parece que vai me devorar.

Eu não durmo há dois dias. Cada estalo que ouço é um pulo na cama. Cada grito de horror que vem da rua (e, acredite, eles são muitos quando se mora na periferia) é uma lágrima que despenca pelo meu rosto. Não sei o que fazer, não posso nem jogar esse monitor no lixo, pois a última coisa que eu quero é atiçar seu desejo de vingança.

Se isso não parar, eu talvez me transforme no Kramer. Mas até aí tudo bem, melhor um vivo maluco que um morto doido.

2 comentários:

Thiago Padula disse...

Sem contar que, quando estava saindo da garagem com a caixa, 'alguma coisa' me empurrou pro lado e eu rasguei as costas na grade. Tô com uma cicatriz de umas 29 polegadas, pra mais.

Tati disse...

MEDO!!!!!!!!!!!!!!!!