terça-feira, 14 de agosto de 2007

Quem poderá nos defender?

Que a linha que separa os US and A e o México divide não só dois países como também duas realidades bem opostas, todos sabemos. Mas não é só a fronteira que nos dá a medida de onde terminam as Américas e onde começa a América.

Todos os povos precisam de ídolos, deuses, heróis. E é na personalidade desses heróis que se imprime o retrato sociológico de uma nação.

O Super-Homem é o herói da América. Imponente, forte, invencível, bravo. O Chapolin é o herói das Américas. Humano, frágil, vulnerável e medroso. Ambos são amados e respeitados por seus povos. O Super-Homem é a imagem estadunidense: convencido, todo-poderoso, dono do mundo. O Chapolin é um retrato fiel das outras duas Américas: gentil, falível, sabe rir das suas próprias mazelas. Enquanto o Super-Homem ostenta em seu peito um pentágono, cheio de ângulos sólidos, o Chapolin carrega um coração, símbolo da ternura que deve restar àqueles que vivem na miséria.

Com o Chapolin não existe nicho de mercado: ele faz de tudo. Derrubar mal-feitores e salvar o mundo até pode ser, mas pra sobreviver às vezes também se faz necessário dar bronca em criança que joga o brinquedo por cima do muro e atuar como si mesmo em um seriado sobre... si mesmo. E isso tudo além de enfrentar o Tripa-Seca, o Abominável Homem das Neves, a Bruxa Baratuxa e um bebê gigante jupiteriano.

E lá vou eu incorrer em heresia aqui, mas pensa comigo: quem é o Jesus dos tempos modernos senão o Chapolin? Um cara que está sempre no meio do povo, e não foge voando sem nem receber os agradecimentos, que vive em um lugar pobre e inexpressivo na geografia mundial, que tem um coração como símbolo e é magro, pequeno e feio. E aí não venha usar como contra-argumento o Chapolin ser um personagem de ficção porque... bom, chega de heresia por hoje.

4 comentários:

bb disse...

Faz tempo que não paro para ler os blogs dos amigos - nem tenho escrito no meu próprio blog ultimente, rs. Mas essa do Chapolin quase me emocionou. Você devia manda prum jornal, por que é verdade verdadeira, isso, isso, isso. Concordo inclusive porque, apesar de atrapalhado, o Chapoli consegue ser mais cérebro que do que aquele monte de músculos impensantes que é o superman. Bem a cara da "América".

Marcia disse...

Lendo Bruno Medina, encontro Thiago.. bons textos..dá até pra rir. Vou continuar lendo.. meu novo hobby: ler blogs...

Thiago Padula disse...

Ler blogs é legal, ótima maneira de matar o trabalho. Mas o que me intriga mesmo é saber como você chegou do Bruno Medina até a mim. I mean, nós dois temos cara de bobo, mas... enfim. Volte sempre =)

priapo disse...

O Superman trás as cores da bandeira americana estampadas no peito, já o Chapolim é em sua predominância vermelho. Vermelho? ôpa.. é comuna! comuna! péga! péga!