quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

La-la-lies

Há alguns dias eu comecei um negócio que está sendo bem divertido: contar histórias da minha vida que nunca aconteceram.

Eu já disse em algum post antigo (que não vou linkar porque, porra, são mais de 2 e meia da manhã) que acho uma bostona pouco cheirosa o fato de minha vida ser uma bostona pouco cheirosa, e eu nunca ter história nenhuma pra contar pra ninguém. Até pensei em aproveitar isso e escrever uma necrografia, mas fica pro futuro. Aí pensei que talvez fosse interessante inventar a minha biografia (tipo aquele episódio do Seinfeld que eu não vou linkar porque, porra, são mais de 2 e meia da manhã), o que tem se revelado quase tão legal quanto apertar plástico-bolha.

Nessas eu já disse que meu pai era dono de uma fábrica de parafusos (essa é ótima, mas funciona melhor ao vivo), que eu já cantei em barzinho (essa vem acompanhada de um breve discurso anti-Djavan. Se você é o Djavan, vá tomar no meio da porra do seu cu), que sofri dois atropelamentos completos (mais dois que não são algo que se diga 'nossa, que atoprelamento'), que minha mãe sofreu uma picada de cobra quando era pequena e eu tenho um pouco do veneno no meu sangue até hoje, que eu fui manobrista, jogador de futebol e crítico de música. E vamos inventando, dependendo da situação.

O melhor - e mais impressionante - é que tem gente que acredita. Hoje mesmo, peguei duas pessoas na história dos atropelamentos. Aí, meu amigo, é a glória. Porque sejamos sinceros, por mais que eu não goste de publicidade e tal, o motivo de ter escolhido esse curso é que a falsidade tá no sangue. Eu adoro mentir, e ainda estou procurando um jeito de fazer disso meu ganha-pão (não vale publicidade, dã). Além do mais, se é pra ter algum adjetivo pejorativo associado a mim, melhor 'dissimulado' e 'farsante' que 'careca, magrelo e ridículo que não tem história nenhuma pra contar'. Se o Cazuza podia inventar o amor dele, eu também posso inventar minha vida pra me distrair.

Mas vou ser honesto com você: de tudo que eu publiquei nesse blog, durante todo esse tempo, só um post era - descaradamente - mentiroso. Mas daqui por diante, não garanto nada.

7 comentários:

Suzana disse...

Eu não me importo que seja mentira, desde que você continue contando e me fazendo gargalhar.

Mas aqui, e a história do sutiã da sua avó? Porque ela é boa demais pra ser verdade, mas se for fica melhor ainda.

Thiago Padula disse...

Não posso te dar certeza que é verdade porque eu não estava lá, mas as duas testemunhas do fato - minha vó e minha tia - já confirmaram. E elas são católicas e tal, e católico não mente.

*Cof cof*

Tati disse...

Vc acredita que meinha mãe já foi picada por cobra e que já sofri um atropelamento?
Pior que é verdade...

Thiago Padula disse...

Quer dizer que se minha vida de mentirinha fosse de verdadinha, eu seria você?

Esse blog proporciona momentos metafísicos fantásticos.

Morto de frio disse...

"É a glória"?!
Conta a história de como vc arranja essas expressões homosexuais.

Thiago Padula disse...

Assim que você contar onde colocou o 's' que tá faltando em 'homossexuais'.

Otávio Pacheco disse...

Eu já sofri dois atropelamentos. Um deles, quando jovem na frente da escola. Fui atropelado por uma Kombi em baixa velocidade. Não aconteceu nada, exceto minha calça que rasgou e deixou minha bunda exposta.
A outra vez foi mais emocionante, no Guarujá. Já adulto, eu estava completamente bêbado e um carro passou por cima da minha perna, pois eu estava parando o trânsito da avenida principal de Pitangueiras. O mais interessante é que eu estava filmando isso, e dá quase pra sentir a minha queda quando o carro passa sobre a minha canela direita. Pena que a filmagem esteja em VHS e meu vídeo não funcione mais...