sábado, 5 de janeiro de 2008

A dois passos dos paraísos

O grande problema do conceito de céu x inferno é que ele é simplório e generalista demais. Basicamente, ele divide toda a humanidade em bons e maus, o que é uma divisão bem ok. O grande pecado, no caso, é que a ramificação pára por aí.

Vamos lá, eu sou uma pessoa boa, então eu morro e vou pro céu, lugar dos bons. Legal, muito bem, vou ter agora uma eternidade de paz ao lado de outras pessoas boas. Bacana, certo?

Não necessariamente. Olha só, eu morri. Eu percorri todo o tortuoso caminho da vida e cheguei aqui, o Eldorado dos pobres, as fontes Lindoya dos mortos de sede. Se tem uma coisa que eu mereço é tranqüilidade, mas como ter esse tipo de sentimento se eu tenho que cohabitar com pessoas, por exemplo, articuladas.

Eu detesto pessoas articuladas, sabe. Aquelas que facilmente se adaptam a qualquer ambiente social, que riem mostrando todos os 32 dentes, têm uma dicção perfeita e não deixam nenhuma sílaba sem o benefício de ser pronunciada. Esse tipo de gente pra mim mereceria arder nos quintos do inferno, mas aparentemente lá não é lugar de gente boa.

Essa divisão planoespacial deveria ser mais ampla, observar mais particularidades que existem na humanidade. Excelente, estamos no céu, somos todos bons, mas por que não separar, por exemplo, os alegres dos tristes, os publicitários dos honestos (publicitário vai pro céu?) e as pessoas que sabem se colocar no seu metro quadrado daquelas que se sentam no banco do ônibus e abrem as pernas igual um compasso?

O grande lance do mundo de hoje é uma coisa chamada especialização. Não basta separar as pessoas entre homens e mulheres, ou entre políticos e apolíticos. O ser humano é muito mais complexo que isso, e o cara que anda com camiseta do Dream Theater não quer ser tratado igual ao que anda de abadá do Camaleão (ambos deveriam ser tratados com golpes de tacape, mas enfim). Se deus e o diabo não reavaliarem seus métodos e perceberem que nem só de zeros e uns se faz o mundo, correm o sério risco de perderem seus domínios geográficos mortais para alguma alma revolucionária que resolva brincar de agente imobiliário do além.

Espero, por fim, que as duas divindades entendam o que eu estou dizendo e avaliem isso. E caso minha luz ilumine as respectivas idéias, na minha vez, por favor, me deixem longe dos fãs de Malhação.

6 comentários:

Edu Melo disse...

That will be my way or highway...
Highway to hell, little fellow.

João disse...

fãs de malhação não vão pro céu nem pra lugar nenhum pois são imortais. Infelizmente.

bb disse...

Pads, eu ri em cada linha desse texto mostrando tooooodos os meus dentes. Desculpa, se eu for pro ceu, c vai ter que conviver comigo. Mas eu prometo usar fio dental! Quanto a reavaliacao requisitada, concordo plenamente!

Rezão disse...

Padoka,

Fica tranquilo nego véio, que seu lugar tá garantido: no meio dos fãs de Lost e Alex Kid.

Abraço!!

Thiago Padula disse...

Mas sabe que eu nunca assisti Lost? E é mó chato quando todo mundo à sua volta começa a comentar sobre o assunto. Mas não assisto mesmo assim, só de birra.

Anônimo disse...

melhor texto!