segunda-feira, 19 de novembro de 2007

No mundo da lua

Antes de tudo, põe esse treco pra rodar e servir de trilha pro texto. Sim, é brega e tudo mais, mas é importante pra coisa toda.



Quando eu tinha 6 anos, queria ter uma banca de jornal. Eu estava aprendendo a ler, e adorava a idéia de ter um lugar cheio de gibis e revistas de colorir pra passar todos os meus minutos.

Foi nessa época que eu ganhei meu Master System.

Um pouco mais pra frente eu já não lia tantos gibis, gostava mais de revistas sobre entretenimento e video games. Então eu não queria ter uma banca, mas trabalhar numa revista de games. Isso no caso era mais um sonho utópico, porque eu sempre soube que era um jogador de bosta, embora gostasse bastante. Então eu criava minhas próprias revistas sobre games, usando as folhas de caderno. Inventava os consoles, inventava os jogos, escrevia resenhas, detonados, dicas e até desenhava as telas dos jogos.

Nessa época eu já tinha um Mega Drive.

Depois, entre o primeiro pêlo no suvaco e a primeira, ahn, punheta (ou outra palavra menos ofensiva), eu decidi criar meus próprios jogos. Com um monte de folhas de sulfite coladas e com milhões de quadradinhos rabiscados, eu inventava todo tipo de jogo de tabuleiro. E, modéstia às favas, eu fazia jogos muito bons, tanto que freqüentemente meu quarto estava cheio de primos e amigos da rua querendo se embrenhar nas minhas aventuras de papel.

Foi aí que eu ganhei o Playstation.

Então o tempo passou. Eu desisti da banca, das revistas de video game e dos jogos de tabuleiro. Todos já tinham Playstation 2, eu mal usava o 1. Aquelas crianças que nem tinham idade pra jogar quando eu comprei meu último video game já estavam com máquinas mais poderosas que a minha. Então decidi me aposentar. Parei, chega. Ainda dei uma chance ao Game Boy, que é video game de quem não tem tempo para video game, e joga no ônibus. Mas era só isso, estava convencido de que meu tempo tinha passado, e deixei o bastão pra molecada.

Mas então eu percebi que, se tinha uma coisa que eu aprendi com Sonic CD e Chrono Trigger era que eu posso mexer no tempo do jeito como eu quiser. O tempo é tocável, mutável, manipulável. Eu sou o dono do tempo, eu faço o que eu quero, eu posso enfiar o tempo no meu cu, se eu quiser.

(Mas eu não quero.)

Hoje não há mais Master System. Não há mais Mega Drive. Não há mais Playstation.

Só há Wii. Só a u i.

Comprei, abandonei a idéia de me tornar um baixista para comprar um brinquedo de criança. Um brinquedo que vai fazer cada átomo cinzento do meu mundo triste se transformar em um pixel colorido e luminoso. Hoje tudo vai ser diferente, eu vou ter minha banca de jornal, vou ter minha revista de video game, vou fazer o maior jogo do mundo, vou cortar os inimigos com o Link, pular nas estrelas com o Mario e deixar o som comendo poeira com o Sonic.

Amanhã eu vou acordar e não vou trabalhar, não vou me preocupar com dinheiro, com trânsito, com guerra, com petróleo, com HTML. Vou ter meu dia de criança, e ele vai ser tão bonito e especial que, quando ver, já vai ter acabado. Mas eu controlo o tempo, então por que não fazê-lo durar pra sempre?

Então até nunca, have a good life =)

5 comentários:

Patricia disse...

Faz tempo q não aparecia por aki.
ja estava com saudades das suas baboseiras todas.
auhauhahuahuauhauhahuuha

bjo

Morto de frio disse...

Chaaaatooooo.

Rezão disse...

Nunca teve o Nintendinho????

ENDURO neles!!!

Thiago Padula disse...

Mas Enduro era do Atari ¬¬

rezão disse...

Putz é memo.
Eu era o mestre do Enduro!!!!!

(gay isso.....)