quarta-feira, 9 de julho de 2014

Obrigado, Harry Potter

25 de novembro de 2001, domingão à tarde, ligam lá em casa. Vamo ver o filme do Harry Potter, querem ir? Queremos. Meu irmão e minha prima liam os livros, gostavam e tal, e eu achava a experiência de passar uma tarde de domingo no cinema sempre divertida, qualquer que fosse o filme. Pois lá passamos duas horas e alguma coisa aprendendo sobre bruxos jovenzinhos que vão pra escola e jogam bola em cima de uma vassoura. Pra ser sincero, achei tudo uma bobeira sem fim, mas qualquer atividade era melhor que ficar em casa desenhando, como de costume.

Na volta a gente desceu na casa da prima e do primo, e na TV passavam os minutos finais do jogo sagrado de domingo. Mas o resultado na tela foi uma cacetada nas minhas pretensões de vida: Vasco 7x1 São Paulo. Minhanossassenhora, como foi que isso aconteceu? Rogério foi expulso, diziam os comentaristas, aí entrou o Alencar, maior frangueiro que eu já vi no futebol profissional. E por um peruzeiro no gol contra o Romário é garantia de massacre. Fiquei meio zonzo, meio atordoado, mas por pior que fosse, não chegava a ser tão terrível. Pior seria assistir o jogo inteiro, ver cada gol acontecendo, cada bola entrando, cada cagada da defesa, cada comemoração da torcida adversária. Ver só o resultado no final é como ler uma notícia sobre uma catástrofe, que você pensa "oh não, que coisa terrível" mas secretamente agradece que não foi com você. E por isso eu só podia direcionar meus agradecimentos a ele: Harry Potter. Se eu fosse crítico de cinema, teria adicionado mais uma estrelinha pro filme na hora. Vida longa a Hogwarts, quadribol é melhor que futebol, vai Grifinória (ou qualquer que seja o nome daquela que tinha os mongolão, que era mais o meu perfil).

De lá pra cá, muito mudou. O São Paulo ganhou três títulos nacionais, o Vasco foi rebaixado duas vezes, os livros do Harry Potter acabaram, os filmes do Harry Potter acabaram (não com a minha audiência), a Hermione cresceu (com a minha audiência), eu parei de desenhar e ir no cinema perdeu um pouco da graça. Foram 12 anos e meio, e só agora eu me senti confortável pra falar sobre esse assunto, sobre essa goleada tão acachapante, tão desmoralizadora, tão voldemortesca.

Então em 2027, se eu ainda estiver vivo e se esse blog ainda existir, a gente conversa sobre o que aconteceu essa semana.

Um comentário:

Natália Pinfildi disse...

É o que dizem há mal que vem para o bem kkkkk (apesar de discordar, porque sou fã de HP)
Infelizmente em 2027 não poderei vir aqui comentar sobre como não vi o que ocorreu em 2014.... pq vi... desesperada, inclusive....