quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Preguiça sem culpa

Se preguiça pudesse ser medida pela escala Richter, um terremoto nas mesmas proporções da minha poderia afundar um continente. Eu vivo numa espécie de universo diferente meio Supermariogalaxyesco em que a aceleração gravitacional de cada cama e cada sofá é muito maior que a da Terra, arremessando-me violentamente à sua superfície fofinha quando entro em sua órbita (leia-se uns dois cômodos pra lá).

Caminho agora para a última parte de um período de férias coletivas e digo, com uma certa confusão de sentimentos, que não fiz nada. O leitor com mais tempo de casa vai saber que essa afirmação não é nova, mas desta vez, além das minhas atividades terem realmente raspado no zero (considerando que jogar o novo Zelda é uma atividade, senão é zero mesmo), uma coisinha preocupante está diferente: eu não me sinto mal.

Todo fim de férias é, pra mim, um longo exercício de arrependimento: olha quanto tempo eu tinha, olha quanta coisa eu poderia fazer, eu sou um inútil, da próxima vez com certeza eu faço uma viagem / gravo um disco / construo um poleiro no quintal do fundo. Dessa vez, entretanto, nada. Tô é achando bom bagarai. Cheguei com uma mochila e um 3DS na casa dos meus pais pra passar uns dias e já estou há quase uma quinzena, aproveitando o que a vida pode me oferecer de melhor: minha família, a cachorra, o gato, roupa passada (de verdade, não aquela esfregada de ferro que eu faço), Coca-Cola sempre geladinha.

Eu sei que a vida pode oferecer mais que isso, mas aí é para as pessoas com aptidão para usufruir essa longa e dolorosa jornada na Terra. Eu só quero a Coca mesmo.

E ainda que nesses dias eu tenha chegado ao portão da rua menos vezes que o Corinthians à final de campeonatos internacionais e meus únicos momentos de esforço real foram pra evitar ver a cena do Anderson Silva quebrando a perna (nenhuminha vez até agora), sinto que estou preparado e confiante para retornar à rotina laboral na próxima semana. Mais do que isso, estou ansioso. Não porque cansei do ócio, não porque quero ver os grandes desafios que me aguardam entre as letras coloridas do Sublime Text 2. Estou ansioso porque por melhor que seja essa vida de vagabundagem, o único lugar onde me deixam entrar, sentar, acessar a internet e ganhar dinheiro sendo lambido pelas doces brisas de um ar condicionado ainda é o trabalho.

Ninguém aguenta esse calor, meu deus.

Um comentário:

Leon de Almeida disse...

Para nossa alegria http://www.youtube.com/watch?v=Wrxg-uy63j8&t=0m46s