sábado, 2 de fevereiro de 2013

Androides sonham com ovelhas elétricas

A tecnologia anda a passos mais largos do que eu estou disposto a acompanhar, e a aceitação desse fato pode significar duas coisas: que eu estou ficando velho e/ou que eu estou virando hippie. Até queria virar hippie e tal, mas tipo aqueles malucos dos anos 60 que se entupiam de ácido e davam a bunda por aí, não esses de hoje em dia, esses regueiros que não tomam banho e acham que aquelas biroscas que vendem na rua são arte.

De maneira geral, eu não me oponho aos avanços tecnológicos e às mudanças de comportamento consequentes disso. Muitas vezes a vida fica mais fácil mesmo, e taí meu Kindle que não me deixa mentir. Mas tem coisas que eu não quero que fiquem mais fáceis, e há necessidades que eu não planejo acrescentar à minha vida. Dessa forma, eu sou normalmente a única pessoa num raio de cinco quilômetros a não ter um smartphone. E isso é deliberado, e não é revolta contra o sistema nem desejo de ser do contra. Eu já passo a maior parte do meu tempo acordado na frente de um computador com acesso à internet, quero pelo menos a possibilidade de cagar em paz.

Entendo que eu não preciso usar o celular no banheiro se não quiser, mas eu vou querer, e é esse o ponto. Cagar é uma parte muito importante da minha rotina, porque é meu momento de isolamento e purificação. É a hora de arrumar a mente, planejar as coisas, deixar rolar a criatividade - eventualmente eu confundo os fatores, a criatividade vai pra privada e o projeto fica uma bosta, mas faz parte. E eu não posso permitir que esse meu templo de paz e olor seja invadido pelos descaminhos da internet e dos jogos casuais. Seria o meu fim.

Como eu ainda não virei hippie, estou apertadamente preso por todos esses cabos que transmitem dados e eletricidade - eu ainda não estou wifi, sou mais devagar que o andor da tecnologia, vide primeiro parágrafo -, e a ausência de um smartphone é o meu único respiro, o único momento que eu tenho para apreciar as coisas boas da vida, como a cor do céu, o canto dos pássaros, uma sonora diarreia. É uma abstinência autoimposta, para manter minha integridade mental nos eixos.

E tudo isso funcionaria se meu celular não tivesse Bubble Town.

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