segunda-feira, 8 de julho de 2013

Mil fantasias

Essa é a semana Só Pra Contrariar no blog (mil piadas), e como essa nova categoria de análise de músicas tem se mostrado um sucesso (porque sucesso pra mim é conseguir arrumar algo pra postar, não tem nada a ver com aceitação popular), nada mais previsível que isso aí que você acabou de deduzir sozinho.


Em 1993, quando o presidente era o Itamar e a moeda era a URV o Cruzeiro/Cruzeiro Real, quando o Brasil ainda era tri e o povo clamava por Romário na seleção, a banda dos irmãos Pratorraso lançou seu primeiro álbum e seu primeiro sucesso, "Que se chama amor". Uma linda canção romântica, não? Veremos.

Como é que uma coisa assim machuca tanto
E toma conta de todo o meu ser?
É uma saudade imensa que partiu meu coração
É a dor mais funda que a pessoa pode ter

Olha. Como dizer isso. Ahn. Pode ser amor e tal, ninguém está julgando, mas acho que há um foco específico de modalidade de amor feito (não amor sentido) aqui. Com até algumas indicações de por onde o amor entra.

Você pode achar que o pagode romântico nunca primou pela qualidade das letras, temas, arranjos ou dancinhas, mas convenhamos que é muito engraçado ouvir um cara chamando o pau de outra pessoa de "saudade". Provavelmente o melhor apelido peniano já feito.

É um vírus que se pega com mil fantasias
Um simples toque de olhar

A menos que haja um tipo particular de vírus que se aloje nas fantasias de pirata da ladeira Porto Geral, isso aqui tá mais pra doença venérea que qualquer outra coisa. O problema é o lance do "mil fantasias": é como se não bastasse um fetiche ou dois, mas anos e anos explorando as possibilidades da bizarria sexual para enfim merecer esse supervírus que se transmite pelo contato ocular. Não é conjuntivite.

Me sinto tão carente, conseqüência desta dor
Que não tem dia e nem tem hora pra acabar

Estamos conhecendo mais detalhes sobre a doença. Ela ataca também o lado psicológico do enfermo, levando à carência - fora a dor física. E, o mais estarrecedor: é para sempre! Ou o período de incubação ainda é desconhecido pelos cientistas, não ficou claro.

O amigo pode pensar que Alex Pirrê está com HIV, mas lembre-se que a AIDS em si não provoca dor no paciente. Então fica a dúvida: qual é o nome dessa doença sexualmente transmissível, que entra em contato pelo olho (não ficou claro qual deles) e causa dor e carência? Estamos diante de um mistério clínico, senhoras e senhores, chamem o George Clooney.

Aí eu me afogo num copo de cerveja
E que nela esteja minha solução
Então, eu chego em casa todo dia embriagado
Vou enfrentar o quarto e dormir com a solidão

MAIS DETALHES EMBASBACANTES! E que claramente desafiam a medicina e, por que não, a ciência em seu estágio atual. Notem que ele diz que se AFOGA num copo de cerveja. Ou esse é um copo inimaginavelmente grande (improvável), ou ele caiu numa piscina e chamou de copo (o que mostraria que um dos sintomas da doença é a dislexia), ou - tirem as crianças da sala - o vírus de nome ainda desconhecido ENCOLHE AS PESSOAS. Isso é grande, senhoras e senhores. A notícia, não o doente. Esse é menor que um copo.

Em seguida ele diz que chega em casa todo dia embriagado (um liliputiano alcoólatra, não lembro de o Gulliver ter visto um desses - e por "não lembro" eu quis dizer "não li porque achei chato pra caralho"), enfrenta o quarto e dorme com a solidão. Parece só uma frase de draminha romântico, mas lembre-se que no começo da música ele se refere ao mastruço imenso daquele que lhe passou a doença como "saudade", o que nos abre o precedente para crer que "solidão" pode também ser outra coisa. Pode ser, claro, só um efeito da dislexia provocada pela enfermidade, mas me parece, vou correr o risco de fazer uma afirmação baseada em nada - ao contrário de todos os outros argumentos fortemente amparados por evidências que temos nesse texto -, que "solidão" é o nome que ele dá para seu amante. "Mas por que ele usou uma palavra feminina para descrever um homem, senhor blogueiro?" Vou deixar você deduzir essa sozinho, Timmy.

Mas continuamos com a dúvida: como se chama essa doença?

Meu Deus, não!
Eu não posso enfrentar essa dor
Que se chama amor

Claro (suspiro).

Tomou conta do meu ser

Bom, ele não deve estar usando "o meu ser" para se referir a si mesmo, porque além de brega não faz sentido. Provavelmente é um outro ser vivo, como uma planta, um animal ou um Pokémon. Mas o mais importante é que acabamos de descobrir um aspecto positivo dessa doença chamada Amor: apesar de ela te arrebentar a alma e lacerar o ânus, ao menos cuida dos seus seres para eles não ficarem sem água ou comida. O que isso tem a ver com a música eu não sei, mas é bacana.

Dia-a-dia! Pouco a pouco
Já estou ficando louco
Só por causa de você!

Aqui descobrimos que além da dislexia e a da carência (ou exatamente por causa disso), o paciente passa, aos poucos, para a demência. Não sabemos até onde isso vai, se ele vai se degradando até ficar se cagando na cama enquanto o seu ser come os pudins de cocô ou se um dia melhora e a vida segue. O que sabemos, entretanto, é que a música tem um alvo muito claro ao final: a(o) Solidão.

Depois de tudo isso, acho que vale o apelo: usem camisinha. Mesmo se - por qualquer motivo que eu não compreenda - quiser colocar o seu pipiu no olho do(a) parceiro(a). Vamos nos cuidar, gente, e erradicar o Amor do Brasil ;)

4 comentários:

rb disse...

Mentira.

Thiago Padula disse...

Como se atreve?

Eduardo Melo disse...

Muitas palavras então não li, mas acho que em 93 a moeda não era o URV.

Thiago Padula disse...

Tem razão, caguei