sábado, 3 de abril de 2010

Eu acho que eu vi um gatinho

Não sei se você lembra desse post, em que eu conto como me sinto um bosta por não poder retribuir à altura todo o amor que Maria me dispensa. Se você não leu, é bom eu salientar que Maria é minha cachorra, au au e pãns.

Pois aconteceu que há duas semanas minha mãe apareceu com uma gatinha lá em casa, coisa mais linda dessa vida, magra e esfomeada, maltratada por essa cidade sem coração. Como todo o meu repertório cultural e científico - e minha própria postura perante a vida - vem de desenhos animados, não chega a ser surpreendente o fato de que Maria e ela não se deram nada bem. Maria nunca foi mesmo muito receptiva a estranhos no meu lar, mas ela costuma se borrar de medo de outros animais. Que o diga o cachorrinho do inquilino do meu vô, a quem nunca mais abrirei as portas da minha casa - você recebe o cara de braços abertos, oferece seu espaço e sua água, e quando vê ele está montado em cima da sua filha fazendo... aquelas coisas, não quero falar sobre isso.

Animais, você deve saber, guiam-se muito pelo olfato. Então pensa comigo: eu passo a mão na Maria, esfrego a cabeça dela, ela fica feliz e tal. Aí quando vou passar a mão na gata, ela sente o cheiro da rival e... esquiva. É o oposto da situação dita no primeiro parágrafo - eu tenho tanto amor pra dar, ela que não quer. Tudo bem que, como eu disse no texto linkado, a esse tipo de coisa eu estou mais que acostumado. Mas, sabe, não dentro da minha casa. Minha residência sempre foi meu santuário, minha fortaleza com campo de força impermeável à rejeição. Então aparece um bicho de dois quilos e me aniquila.

Meu mundo ruiu. Nada mais faz sentido, nenhum lugar é seguro. Vou dormir sob algum viaduto, na esperança de que uma família boa me acolha, assim como a minha fez com gata. Isso ou 'acidentalmente' colocar a bichana e Maria no mesmo quarto trancado. Hum...

Em tempo: meu irmão vota para que o nome da esnobe seja Cecília. Como você é um desses metidos a besta que não tem contato com a cultura popular atual, clica na dica. Agora adivinha qual o nome dele.

Um comentário:

Ana disse...

Eu sou aquilo que chamam de "dog person". Num sentido FOFO pra expressão, por favor.

Aqui eu estou com 3. E com uma roomate que, parece, está querendo colocá-los pra fora. Mal sabe a famigerada 'moça do disjuntor' que, na verdade, o plano é que ela saia. Sem direito a paredão.

Continue tentando com a gata. Um dia ela cederá aos seus apelos e dormirá na sua cabeça. =)