O lugar onde eu trabalho é, dentro dos limites do profissionalismo, um local divertido. A gente canta, grita, faz piada e fica uma hora na padoca durante o expediente. Daí que ontem, graças a uma iniciativa mó legal - e deveras assustadora, certeza que vem uma tora na nossa bunda depois -, fui com alguns coleguinhas para um lugar afastado desse mundo horroroso participar de uma jam session que durou o dia inteiro, durante o horário de trabalho.
A gente levou os instrumentos - inclusive o Brito levou aquela guita linda que eu deixei de roubar por muito pouco -, a empresa descolou o equipamento de som e assim passamos uma ensolarada sexta-feira descarrilando alguns clássicos da música pop, de Magal a Nirvana, de Tim Maia a Lynyrd Skynyrd. Desses, só o Nirvana foi salvo da minha blablableação, mas nenhum passou incólume à minha sempre declarada - e agora comprovada - falta de talento. Caguei; como diz aquela música dos Stooges, my idea of fun is killing everyone.
Mas legal mesmo, repara o sadismo, foi estar num lugar lindo a sei lá quantos quilômetros de São Paulo estuprando o rock'n'roll enquanto todos os coleguinhas - e provavelmente você também - ficaram sentados na frente do computador o dia todo, agradecendo pelo menos por ser sexta-feira.
Melhor dia útil de todos os tempos.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Yesterday / All my troubles seemed so far away
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Thiago Padula
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Semcordefinida Drama
Quando éramos jovens e cheios de sonhos nas ruas da Vila Miriam, e o tamanho do pênis não era um fator que incrementava a reputação, ficava por cima na cadeia social quem soubesse mais versos de 'Fim de Semana no Parque', dos Racionais MCs. Eu, sempre o leproso, só sabia o refrão, que era ridículo: 'Vamos passear no parque, ô / Fim de semana no parque / Vamos passear no parque, ô / Fim de semana no parque Santo Antônio Santantônio santantônio ....'
Perdi a época de 'Diário de um Detento' e 'Capítulo 4, Versículo 3'. Em parte porque meu gosto musical tinha zarpado pra outros mares (Os Travessos, Kiloucura), mas principalmente porque nessa época o tamanho do pênis já era um fator. Digo, Winning Eleven. A habilidade no Winning Eleven. E, pra variar, eu era a escória.
Por causa do Winning Eleven.
Daí chegou 'Negro Drama', vice-hino da geração pé-rapada anos 2000. Tem um trecho que é assim:
Problema com escola eu tenho mil, mil fita
Inacreditável, mas seu filho me imita
No meio de vocês ele é o mais esperto
Ginga e fala gíria
'Gíria não, dialeto'
I was just 17, if you know what I mean, e na época criei um email com o trecho italicado ali em cima: seufilhomeimita@ig.com.br. Vai, todo mundo teve um período na vida em que desandou a criar emails bestas - tudo bem que normalmente eles eram coisas com 'gatinha' e 'surfista' e tal, mas ainda assim eu estava respaldado. Então vai-se o tempo, seguem-se os penduricalhos tecnológicos, e todas as pessoas da minha idade mudaram seus emails identificadores por coisas mais austeras, tipo nome.sobrenome. Porque é natural, já que chega uma hora que você precisa levar a vida a sério e não pode colocar um negócio bizarro no currículo.
Mas, corrigindo a sentença anterior, houve uma pessoa que manteve seu email escroto: eu. Quero dizer, o do iG lá de cima morreu - dando lugar ao nome.sobrenome@gmail.com - mas o MSN mantem-se firme, forte e vida loka. Lá no trabalho, toda vez que algum respeitável colega me pede o messenger, pra trocarmos informações profissionais importantes e sisudas, costuma dar-se o seguinte diálogo:
- Padula, me passa seu MSN.
- seufilhomeimitaarrobahotmail
- Que?
- seufilhomeimitaarrobahotmail
- Hein?
- seufilhomeimitaarrobahotmail!
- ...
- ...
- Porra, Padula.
Depois de sete anos, ainda me sinto muito envergonhado toda vez que preciso dizer essa merda. E não dá pra trocar agora, porque a) eu tenho preguiça; b) já fui premiado com esse endereço de messenger. - um prêmio que eu próprio ajudei a organizar, é verdade, mas garanto a honestidade da eleição; e c) apesar disso tudo, ele tem uma certa arroganciazinha besta que me cai muito bem.
E assim, a história da minha vida foi contada por meio de um endereço de email. No próximo capítulo, exporei minhas perturbações psicológicas explicando a diferença entre memória e HD. Não saiam daí.
Postado por
Thiago Padula
às
13:09
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