Esses dias me peguei pensando, após uma ligeira avaliação desses meus 23 aninhos de vida, sobre o que eu gostaria de preservar e o que gostaria de evitar quando tiver um filho.
A primeira coisa seria desencorajá-lo de chegar perto de papel e giz de cera. Esse negócio de desenhar não dá camisa a homem. Mas também não ia ficar colocando ele em tudo quanto é curso, o moleque precisa de todo o tempo livre pra brincar. No máximo, um tradicional inglês.
E eu quero que ele aprenda a tocar um instrumento, de preferência baixo ou bateria, pra gente formar uma banda. Vou deixar ele jogar meus video games velhos (porque nos novos ninguém tasca), e vou comprar uma bola de capotão pra ele fazer amigos na rua. Mas não vou deixar empinar pipa porque é coisa de retardado perigoso.
Ah, e vai comer de tudo. Tem essa de bolacha e salgadinho não, vai comer feijão e arroz. E vai estudar, quero ver nota boa na escola. Não quero que seja encrenqueiro, mas ele vai ter meu aval quando precisar quebrar a perna de algum moleque folgado.
E ele vai ter todos os cachorros e gatos que quiser. Mas vai ter que rezar sobre o túmulo de Maria todo dia. E pode ter amigos imaginários, desde que não sejam má influência.
Também vou acostumá-lo desde cedo à idéia de que a mãe dele é frígida, pois não quero que imagine os pais transando. E nada de trazer menininha pra minha casa, vou construir um porão pra ele levar as piriguete e passar o rodo. No aniversário de 18, claro, vai fazer excursão pro puteiro.
Agora, se for menina, é quase tudo isso, mas vou matá-la aos 14 anos pra não ter que saber que filha minha tá dando pra marmanjo por aí.
terça-feira, 29 de abril de 2008
Meu fi, minha fia
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Thiago Padula
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segunda-feira, 28 de abril de 2008
Virada de bosta
Mentira, foi legal, só pus esse título pra fazer a brincadeira besta com o nome do blog.
Ao contrário dos últimos anos, em que me afundei madrugada adentro rodopiando pelos escombros da cidade em busca de qualquer coisa pra ver/ouvir, dessa vez guardei minhas forças para o domingo, perdendo a Virada. Ainda restou o Cultural.
Embora a graça da coisa realmente esteja na madrugada, um combo Cachorro Grande + Arnaldo Antunes + Lobão + Ultraje a Rigor não se acha sempre por aí, de graça e com o céu lindo. Sendo assim, um tchauzinho pro sereno, um olá pro sol. E que sol quente filadaputa, tão quente que espantou as nuvens e, por tabela, quase espantou todos que estavam à minha volta.
Antes ainda desses shows todos, deu tempo de ver o Overcoming Trio, grupelho folk formado pela lindinha Mallu Magalhães, pelo gente boa Hélio Flanders e pelo esquecido Zé Mazzei. No repertório, um monte de músicas do (pai, filho, espritossanto) Bob Dylan, mais umas da garotinha. Aí teve It's all over now, baby blue, Maggie's farm, House of the rising sun (se ela cantasse essa música assim no Raul Gil seria a ídala do meu pai), Simple twist of fade, e outras.
Depois, o Cachorro Grande. Vou ser sincero, depois de vê-los pela sexta vez, o impacto já vem forrado de espuma. Mas é sempre um show divertido, com Hey, amigo, Lunático e My generation.
Tem aquela máxima machista de que panela velha é que faz comida boa. Como o rock 'n' roll é uma biatch, a regra se aplica aqui também. Embora às vezes o tempo afaste o auge criativo para longe, em cima de um palco a experiência é sempre um aditivo (cê tá acompanhando a metáfora, né? Meio vulgar, e tal), e um bando de tiozinhos com rugas nos olhos e cicatrizes nas veias podem manipular uma platéia como nenhum moleque consegue.
O Arnaldo Antunes fez um show excelente, até botou a multidão pra cantar alguns de seus hits obscuros e, evidência forte da chegada da idade, não se sentiu constrangido em fazer algumas estripulias no palco, como um velho que usa a regata transparente pra dentro da bermuda (com a carteira enorme apoiada entre o elástico da berma e o barrigão).
O Lobão é, tipo, o Lobão, né. Ainda faz discos ótimos, ainda fala mais que a boca, ainda é foda bagarai. O show, acústico, foi pesadíssimo, uma desumana violência contra as pobres cordas de aço dos violões. Intercalou músicas do disco da MTV com alguns outros sucessos não desplugados na ocasião, além de encarar a piada fácil e tocar Raul pra um público ensandecido que sabia a letra de Gita de cor (como se alguém não soubesse).
E aí teve o Ultraje. Eles pararam no tempo quase que totalmente. A maioria das músicas apresentadas eram do primeiro (e absurdamente maravilhoso) disco, Nós vamos invadir sua praia, do histórico (pelo menos pra mim) ano de 1985. A música mais nova tocada, Nada a declarar (cu), já é um clássico. Eles são praticamente uma banda cover de si mesmo, se me permitem o clichê. Mas, na boa, foda-se.
Se as músicas têm 23 anos de idade, hoje elas são tocadas com pelo menos 23 anos de técnica musical apurada. Zoraide, Independente F.C., Ciúme, Inútil, Sexo, Pelado, todo mundo cantava tudo, todo mundo pulava tudo. Eles carregavam a platéia no colo, recitavam um dos melhores capítulos da história do rock brasileiro pra vinte mil pessoas que preferiram começar o livro de novo a ter que encarar as últimas páginas. Foi o melhor show que eu vi no ano, mas só porque o do Bob Dylan foi o melhor que eu vi na vida.
E chega, né?
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Thiago Padula
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sábado, 26 de abril de 2008
All my friends
Deus é um bastardo filho da puta. Mas não um bastardo filho da puta no sentido ruim, e sim no sentido legal, tipo aquela coisa que você fala pra um camarada enquanto dá uma golada numa breja com a barriga esfregando no balcão do bar. É tipo isso, deus é meu amigão do bar.
E, em um grupo de amigos, tem sempre o certinho, o embalista e o cuzão, aquele que zoa todo mundo, sem pudores nem arrependimentos. Esse é o deus. Se liga na última:
Eu sou uma dessas pessoas que só pensa em si e se apropria de obras alheias sem pagar nada. Pirateio mesmo. Aí, nessa, meu Wii tem demonstrado nas últimas semanas claros sinais de abatimento, o que tem me deixado deveras chateado. O único jogo que consegui fazer pegar foi The Legend of Zelda - The Wind Waker, que tem uma temática marítima, cheia de - tcharam - piratas.
Já de algum tempo pra cá, meu olho esquerdo tá enxergando mal pra burro (minha mãe diz que é diabetes, mas tratemos disso em outro post). Como eu troquei de óculos há um mês e meio, nem ferrando que vou mandar fazer uma lente nova. Solução: usar um tapa-olho, como um - tcharam - pirata.
Vê, é tudo uma grande gracinha, um rompante de ironia e filhadaputagem, que só ele seria capaz de arquitetar. Você pode achar que tem os melhores amigos do mundo, os mais legais, os mais gente boa. Mas ninguém tem um buddy tão genial quanto eu tenho.
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Thiago Padula
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sexta-feira, 25 de abril de 2008
O primeiro gol a gente nunca esquecemos
A época da faculdade foi de muitas mortes pra mim. Talvez por ser um período de transição pra fase do chefão adulta, o que ocorreu foi que vários dos meus eus foram tombando no campo de batalha.
Alguns exemplos? Então, teve a morte do eu mangazeiro, do eu prolífico, do eu com cabelo (oh, deus, por que não me levaste no lugar dele?), do eu vedor-de-Seinfeld-todo-santo-dia e, oração sem sentido para separar o item mais importante dessa lista, do eu futebolista.
É, eu jogava bola. Rodava essa cidade atrás de qualquer retângulo gramado onde desse pra rolar uma bola de capotão. Aí, tão abrupto quanto o penhasco por onde caem os carros dos bandidos no último capítulo da novela das oito (nove?), foi o fim do eu boleiro.
Passaram-se os anos, e repentinamente surgiu a oportunidade de fazer esse Romário ressurgir das cinzas. Na primeira quarta-feira, o insuportável peso dos anos de limbo pulou nas minhas costas, e a falta de preparo tanto físico quanto técnico fizeram do meu renascimento uma vergonha. Tudo bem.
As quartas-feiras se seguiam, e gradualmente fui me recuperando, alternando bons e maus momentos, mas já garantindo a confiança daqueles que viram em mim um dedicado guardião da defesa da equipe. Mas então começou a faltar algo, algo mais importante que qualquer coisa no futebol: o gol.
Eu ia, chutava, pegava na trave, chutava, pegava no zagueiro, chutava, ia pra fora. Mas foi quando, na última quarta-feira, um golpe certeiro de cabeça me transformou no jogador mais importante do mundo por um frame. Pescoço pro lado, olhos abertos, testada firme, bola na rede, woo hoo.
É bem verdade que a bola mais bateu na minha cabeça que eu bati nela, mas who gives a fuck?, o que importa é o gol. Meu primeiro gol.
Rumo ao milésimo agora.
---
Falando em renascimento, meu celular subitamente saiu do coma e apareceu dando olá como se nada tivesse acontecido. Ainda bem que eu não sofro desses dramas da vida moderna, porque depois de dois meses sem celular qualquer pessoa mais neurótica (ou com mais amigos) teria se matado.
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Thiago Padula
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quarta-feira, 23 de abril de 2008
Apocalypse. Now, please.
Ontem um terremoto abalou São Paulo e alguns outros estados pelo Brasil. Vocês viram?
Se sim, então talvez tenham notado que nem foi um terremoto, foi uma tremidinha de terra, como se alguém tivesse jogado o celular no mar, com o modo vibratório ativado. E, tipo, que merda isso.
Eu acho os fenômenos da natureza uma coisa fantástica, e dentre esses fenômenos uma panelinha que eu admiro é a das catástrofes. Adoraria ver esse tipo de coisa por aqui, mas o máximo que a gente consegue são umas enchentes, que normalmente são mais danosas por causa do mijo de rato que pela água da chuva mesmo.
Falta emoção, falta grandiloqüência. Quero ver trombas d'água, ciclones, terremotos, tsunamis, vulcões, aerolitos. Quero ver o chão se partindo, o fogo caindo em gotas e os relâmpagos pintando a paisagem. Quero ver dragões, magos, bruxas, pokémons, anjos, demônios, hordas de trogloditas, turbas de zumbis, quero ver o circo pegar fogo, malandro.
E o que eu ganho? Uma balançadinha na terra. 5 segundos. Achei que fosse um caminhão passando na rua. Ah, faça-me o favor...
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Thiago Padula
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sábado, 19 de abril de 2008
É uma porção de pica
Eu entro na sala escura, acendo a luz, e lá de dentro eu grito 'surpresa!'. Eu faço aquela cara de 'oh, eu me peguei direitinho nessa', me cumprimento entre sorrisos bobos, e começo a cantar parabéns. No meio da música, eu mudo para aquela versão obscena, com uma porção de pica, e então eu rio, como se nunca tivesse ouvido essa antes. Eu faço um pedido, sopro a vela, eu bato palmas, e lá do fundo eu puxo o coro: 'com quem será, com quem será, com quem será que o Thiago vai casar? Vai depender, vai depender, vai depender se o Padula vai querer'. Então eu corto o bolo e dou o primeiro pedaço pra mim, enquanto canto 'puxa-saco, puxa-saco'.
Informação desimportante: hoje esse blog completa um aninho de vida. Embora eu não ligue pra isso (mentira, ligo sim, mas sacomé, blasé mode: on), decidi fazer algo pra comemorar a data. E nada7 - Pra ver se eu como alguém
Um dos textos sobre amor mais bregas que já se leu pela intenet. Na minha cabeça a idéia era boa: misturar Velhas Virgens, Evangelion, Monty Python e Beatles no mesmo post não era algo que se via sempre por aí.
No final, entendi por que.
6 - Insônia S/A
Uma coisa que eu aprendi fazendo esse blog é que pra fazer algo decente você precisa estar privado de quaisquer sentimentos que te possam influenciar. Quando isso não acontece, temos uma situação que foi recorrente durante esse último ano de blog: o mimimi.
Até pensei em não pôr esse post aqui, pra meio que fingir que ele nunca existiu. Mas what the hell, fez cagada, agora assuma.
5 - Mais de mil palhaços no salão
Mimimi mimimi mimimi.
4 - Inacabados
Eu posso ter tido vários motivos pra não terminar um texto. Falta de paciência, falta de inspiração, falta de tempo. O fato é que, se depois de não acabá-los eu começo outros e vou tocando minha vida, é porque realmente estes não eram pra virar.
Então me responda qual o sentido de publicar trechos de sucata literária? Eu sou algum escritor famoso? Não. Eu tenho fãs? Não. Eu vou ganhar algum dinheiro com isso? Pff. Então pra que gastar os olhos desse número mirrado de pobres coitados que visitam esse blog com lixo? Lixo tão ruim que nem conseguiu a façanha de ser publicado, mesmo tendo tantas outras escabrosidades por aqui (você viu essa lista). Lamentável.
3 - Sobre a Virada Cultural, o gangsta rap e duas nações apaixonadas
O mecanismo desse blog fundamenta-se no princípio de que ele é meu, eu escrevo o que eu quero, e dane-se quem tá lendo. Curto e grosso, como pipiu de anão.
E o que faz deste um texto ruim? Simples: eu tive que escrever um post de retratação. Foi tanta merda que nem a lógica do 'escrevo-o-que-eu-quero-pau-na-sua-bunda' foi suficiente pra segurar a barra. Se um post desse não merece estar entre os piores, então não sei o que merece.
2 - The social music revolution
Durante certo(s) período(s), eu queria postar mais do que havia assunto pra escrever. Então, como eu sempre escolho a opção errada, preferi postar mesmo assim.
Esse texto parece escrito por uma criança. Não fala nada com nada, começa com um assunto, termina com outro, sem nenhuma explicação, sem nenhum fundamento, sem nenhum sentido. Me dêem licença que eu vou ali chorar um pouco.
1 - No mundo da lua
Tem alguns textos que, quando você escreve, é atingido por um raio divino de orgulho e satisfação. E aí, com o passar do tempo, olha de novo e vê que não era bem isso. Esse é um exemplo. Quando acabei, teclei pra um amigo no MSN que essa era provavelmente o melhor texto que eu já havia escrito. The best, Jerry.
Agora eu leio ele e... qual é, trilha sonora? Trilha sonora do Kiss??? E esse texto de veado, 'ai, quando eu tinha 6 anos eu queria ter uma banca, pititi, pititi, pititi'???? Tudo isso por causa de um brinquedo? Acabou saindo o video game mais caro da história: R$ 1300,00 + meus testículos.
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Thiago Padula
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quarta-feira, 16 de abril de 2008
I read the news today, oh boy
Depois que eu desisti de ser astronauta e jogador de futebol, a idéia de carreira que mais formigou pela minha cabeça foi a de jornalista. Não que eu achasse a profissão aquelas coisas, mas eu sabia que o Laerte era jornalista, e aí você conhece a história, os que podem pavimentam seu caminho, os que não podem vão na cola dos outros. Então, coisa de seis meses antes do vestibular, um golpe de pincel me desviou e eu decidi fazer publicidade. E aí, se você já lê esse blog há algum tempo ou me conhece um pouco, sabe o quanto me arrependo.
Mas, pensando bem, e com todo respeito a qualquer jornalista que possa entrar aqui por engano, que profissão de corno do caramba.
Veja se eu entendi bem: tem a fonte, e ela dá uma informação foda pro jornalista. Nosso amigo publica a notícia, e acaba atingindo gente poderosa que não gostou da história. Então a gente poderosa encosta o queridão no muro, dá-lhe um murro no estômago e pergunta, suavemente: 'de onde você tirou essa informação?'. O jornalista, cumprindo bravamente sua ética profissional, grita 'jamais direi!', e cospe na cara do poderoso. A porradaria se segue, e a tal da fonte fica ali quietinha, observando tudo calmamente, coçando o queixo e olhando pro alto.
E aí você faz uma reportagem incrível, ganha o Prêmio Esso, é reconhecido, trabalha na maior rede de TV do Brasil. E é fatiado pela lâmina da espada samurai de algum traficante.
Ei, qual a graça disso? Ser jornalista não é legal, legal é ser a fonte! Não é claro? Uma opção, já mostrou nossa amiga Mônica Veloso, é se envolver com algum parlamentar, protagonizar um escândalo e encher o cu de grana posando nua depois. Ela sim é esperta.
Mas pode ser que alguém venha aqui e diga 'ela não era jornalista!'. Até aí, Marcos Valério também não é publicitário e você não me vê defendendo a classe. Então seja homem e assuma logo, caralho.
E então tem aquele outro puritano que acha um nojo sair dando pra senador, ou alguma dessas espécies menos favorecidas pelo caráter. O mundo aí fora é perigoso, todos podem ser cruéis. A solução? Ficar com outro jornalista, ora!
Foi o que pensou a jovem e ingênua Sandra, quando caiu de amores por seu chefe Pimenta...
Update (na miúda): arrumei ali em cima o nome da Mônica, porque o burrão chamou a jornalista pelada pelo nome da atriz-delícia. E ninguém pra falar também, hein!
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Thiago Padula
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