Tirando momentos esporádicos nas primeiras temporadas, eu nunca acompanhei o Big Brother. Em algum período foi pelo meu afastamento gradual da televisão, em outro foi pelas obrigações noturnas da faculdade, em mais algum pela alternativa de assistir aquela Casa dos Artistas que tinha a Tiazinha, a Feiticeira e a Ellen Rocche. Mantenho minha posição de que esse último é o melhor programa de TV de todos os tempos, mas isso não vem ao caso. Era pra falar sobre Big Brother, mas eu não quero falar sobre Big Brother.
Também não quero falar se o cara estuprou a mina ou não, se cu de bêbado tem dono ou não, se a Globo tem que se fuder ou não, se o programa tem que sair do ar ou não. É um assunto chato pra cacete, e a única lição que a gente deve tirar daí é que estupro é uma coisa feia e não deve ser praticada (talvez o Rafinha ache que só deve ser praticada com mulheres feias e o Maluf abra a ressalva de que é permitida desde que não seja seguida de morte, mas que eles discorram sobre isso nos seus próprios blogs).
E eu quero lá ficar dizendo se as pessoas devem assistir ou não, ou fazer qualquer análise sobre a degradação do intelecto humano baseado no interesse por esse suposto lixo. Primeiro porque se juntar aos amigos que normalmente são tão inteligentes quando uma tampa de tupperware pra encher o cu de cachaça e passar a noite vomitando num banheiro sujo também não acrescenta nada ao seu repertório cultural e ninguém deixa de fazer - nem deveria; segundo porque nego argumenta que ficar vigiando a vida dos outros e decidindo o que os outros devem fazer é uma merda, mas estão fazendo exatamente o mesmo. Enfim, dane-se, não vou falar sobre isso.
Eu não vou falar sobre nada. Só o que se fala é Big Brother, Brigbródi, Bebebê, e eu não queria falar sobre isso, portanto aí está, não falei. Parece que a gente sempre tem que falar sobre tudo que acontece e etc, mas não!, abracemos a opção de ignorar também. Como eu fiz, e agora sou um exemplo a ser seguido. Me siga.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Esse não é um texto sobre o Big Brother
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Thiago Padula
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sábado, 7 de janeiro de 2012
All apologies
Todo mundo tem um objetivo na vida. Tá, nem todo mundo tem, mas dar à sua vida um objetivo é meio que bom e tal. É difícil achar, mas tem uns por aí. Tá, quase ninguém tem.
Eu tenho um: morrer. É, eu sei, é apelação, porque pra não alcançar esse eu preciso ser muito ruim. Mas é alguma coisa. E não é porque eu acho que a vida é uma bosta miserável que não vale a pena continuar (eu acho tudo isso, mas não é por isso), é porque a morte é um negócio que me atrai de um jeito esquisito.
Se querem um bom exemplo, o post mais visitado do Vida de bosta (com exceção dos que tem algum tipo de auxílio à punheta do colega internauta solitário) é o 5 grandes maneiras de morrer, que eu escrevi há quase três anos. A continuação dele, 5 maneiras ruins de morrer, também tem números bons. Foram posts divertidos de escrever, fluíram facilmente, como se estivessem já ocupando boa parte do meu fluxo de raciocínio. A morte, amigos, é quase minha amiga.
Só não é minha amiga porque a morte é uma merda. Só no último ano, levou minha prima e minha gata, e essa semana levou minha tia-avó. É uma filha da puta (a morte, não minha tia, por favor), mas está aí e a gente tem que se acostumar com a ideia.
Completo hoje 27 anos (primeiro recorde pessoal alcançado: esse deve ter sido o post com o maior número de parágrafos enrolando antes de entrar no assunto de verdade). 27, você sabe, é uma idade que está enrolada nas pernas da morte. Tudo bem que - condição 1 - isso só vale pra quem era artista, famoso e relevante e - condição 2 - há que se deixar de lado algumas coisas aprendidas no curso da vida, como coincidência e tal.
Eu não vendi a alma pro diabo, não fundei os Rolling Stones, não dei pro Serguei. Na verdade, é engraçado como o mesmo tempo que não foi suficiente pra eu conquistar nada na vida foi mais que o bastante pra eu perder quase todo o meu cabelo. Mas, vocês sabem, as pessoas são idiotas e morrer aos 27 talvez me faça ganhar mais prestígio do que eu mereço. Eu não ligo.
Não vou, entretanto, por um fim à minha vida. Eu não, credo. As coisas tem que acontecer naturalmente, é assim que é bonito, é assim que é legal. Quando você força ou planeja, é tudo uma merda. E vai ajudar muito se eu for pro saco de um jeito mais rock 'n' roll. Como eu só corro risco de morrer de overdose se for de Coca-cola ou pão com manteiga, acho que essa possibilidade não vai rolar. Robert Johnson, um do clube, morreu envenenado por um chifrudo que ficou puto pelas liberdades que a versão bluesman de Fausto tomou com sua mulher. Mas não vou ficar dando ideia na mulher de ninguém, porque eu sou bunda mole bagarai. Aí vai ficando difícil.
Bom, deixa pra lá. O fato é que eu tenho 365 dias pra morrer em grande estilo, e o resto da vida pra me arrepender da oportunidade perdida. Fazer alguma coisa em grande estilo não é muito minha praia, então podem contar comigo reclamando aqui ano que vem.
Agora me dá parabéns.
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Thiago Padula
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terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Assim vocês me enchem o saco
Deixa eu já explicar uma coisa antes: eu odeio 'Ai, se eu te pego'. Acho uma bosta de música, fácil, feita de qualquer jeito, mas do jeito certo, e por isso bombou. Imagino até que por alguma movimentação cósmica arbitrária, porque nessa linha de música sertaneja para retardados há tantos outros exemplares até mais bem acabados, mas que não tiveram o mesmo sucesso. Essa é a graça da vida, o acaso.
E é bastante provável que se eu escrevesse sobre esse Michel Teló (que, pela cara de velha, poderia muito bem jogar no Flamengo) há duas semanas, o parágrafo de cima fosse um resumo do texto. Mas então parece que descobriram o cara. 'Descobriram', né, porque esse puto tá estourado nas rádios faz um tempão. Faixa mais vendida no Itunes em vários países, coreografia de celebridades internacionais como Cristiano Ronaldo e Rafael Nadal, possível motivo de expulsão de uma dezena de soldados israelenses. A mídia internacional fala dele. Então, a mídia nacional presta atenção. E cabum.
O Ronaldo Angelim da música aparece na capa da Época e neguinho fica maluco. Fica puto. Fica desgraçado da cabeça. Onde já se viu, o cara faz uma música que eu não gosto e vira capa da revista. Chamam de fenômeno, diz que traduz os valores da cultura brasileira. Não, senhor, não a minha cultura brasileira. Rica, cheia de sacis, berimbaus e cocares. Isso é um desrespeito, alguém faça alguma coisa!
Quer saber? É a cultura brasileira, sim. Cultura é coisa do povo, não dos livros de história. Se não é do seu gosto, do seu agrado, foda-se. Não é do meu, e eu tô cagando. A 'minha' cultura não me representa, meu país não me representa, quem me representa sou eu e acabou. E se isso é comprado, fenômeno de marketing ou o que quer que seja, paciência. O mundo de hoje é assim. Os Beatles são fenômeno de marketing, a Madonna é fenômeno de marketing, a Katy Perry, apesar - ou por isso mesmo - dos olhos lindos e seios perfeitos, é fenômeno de marketing. Independentemente do talento, da mensagem, da voz.
Michel Teló é o típico personagem que vai desaparecer daqui a alguns meses, e talvez com sorte reapareça no futuro (ex. Latino). O mundo hoje é assim, mastiga, mastiga bastante, e então cospe. Características do tempo, características do povo, características do lugar. Cultura, afinal. E o fogo reacionário só confirma isso - o que seria do Elvis sem os pais das adolescentes enfurecidos? E se colocar acima da população porque a cultura 'deles' não é alta o suficiente para alcançar os seus patamares rebuscados de bom gosto é coisa de moleque. Já discutimos isso no post sobre o Restart, lembram?
Eu também preferiria que os grandes representantes da cultura brasileira fossem a Nação Zumbi ou o Sivuca, como alguns até tentam fazer acreditar, mas não são. São, sim, representantes, parte dessa coisa maluca e linda que é a cultura brasileira, mas são personagens menores. E dane-se, também, porque eu conheço um monte de gente que ia ficar puta se o seu artista preferido estivesse estourado como o Michel Teló, ou o Luan Santana, ou a Paula Fernandes. Coisas do povo, crise de um sistema político, social e de pensamento que privilegia a maioria, não o meu umbigo.
E não me entenda mal, acho saudável se revoltar contra o mundo. Só que às vezes é meio ridículo, também.
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Thiago Padula
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O que eu não vou cumprir
Escrever não é preciso, me desculpem os companheiros de jornada. Passar o fio-dental é preciso, beber muito líquido é preciso, preencher o livro de ponto é preciso, fazer exercícios é preciso, conhecer os pais da namorada é preciso, ser proativo é preciso, emagrecer é preciso. E todas essas coisas tem uma característica em comum: são um saco. São atitudes que te ajudarão a viver mais, dirão alguns, sem perceber que viver mais também é morrer mais devagar.
Escrever não é preciso, mas é do caralho. Não pela terapia, não pelo desabafo, não pela expressão. Ou por tudo isso, não importa. É bom porque você não tem que prestar contas a ninguém, ou ao menos não deveria. Ou deveria, não vamos impor limites. Escrever tem sido minha atividade produtiva preferida desde que o Vida de bosta deixou de ser um fotolog pra virar um blog, e lá se vão cinco anos. Nesses cinco anos, eu tenho me achado um merda por todas as coisas que eu não faço: por não jogar bola mais, por não desenhar mais, por não estar mais atualizado a respeito das novidades musicais e cinematográficas e literárias e gamers e por aí vai. Eu tenho me achado pior, metade do homem que eu costumava ser (Lennon/McCartney), por ter largado essas coisas que eu gostava tanto no passado. Mas quer saber? Eu não gosto mais, foda-se. Se eu preciso me forçar a fazer algo que eu supostamente adoro, talvez eu não adore tanto assim. Então que vão pro caralho o desenho, o futebol, a Lana del Rey (ou sei lá que diabo tá bombando hoje em dia).
Pois que ainda que o ano novo não faça muito sentido da perspectiva da razão, é uma data que a gente usa pra fazer checkpoints (minha educação formal veio do Crash Bandicoot, perdoem os termos), reavaliar algumas coisas e tudo mais. E, após essa minha tardia epifania, resolvi que em 2012 eu vou escrever mais. Ou ao menos com mais disciplina, regularidade e tal. Até comprei um caderninho pra levar no bolso, e até agora ele só tem uma anotação: "aposto que eu vendo mais cocô que camiseta". Ainda tá no começo, gente, calma.
Não significa que vai ter mais posts no blog, porque o blog é um suporte com tamanho e cor já estabelecidos e não vai fazer bem eu ficar agarrado em fronteiras. Mas também não pretendo postar tão pouco quanto ano passado, que foi meio vergonhoso. Eu sei lá que porra eu vou fazer, na verdade, mas se for interessante eu aviso aqui. Aceito sugestões, inclusive.
E você, decidiu o quê pra esse ano de merda? (outra resolução: parar de ser tão desgraçadamente negativo) Lembrando que 'entrar na academia' e 'fazer uma tatu' é muito clichê.
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Thiago Padula
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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Retrô
Acaba um ano, nada muda. Mas como eu pouco escrevi nesse blog em 2011, e tenho certeza que você está curiosíssimo pra saber quais as coisas superemocionantes que aconteceram na minha vida de merda (só de sacanagem) nos últimos 364 dias, aí vai uma lista, não ordenada, das mais importantes.
Uma observação: talvez algumas coisas aí pareçam ridículas ou fora da realidade, mas é assim que eu sou.
- Mudei de casa, pra longe dos meus papais
- Comprei um Nintendo 64
- Comprei um Wii preto, mas não me entregaram
- Consegui meu dinheiro de volta, o que pra mim é uma grande vitória (entenda que eu sou tão palerma que se uma pomba cagar na minha cabeça eu peço desculpa por ter obstruído o caminho até o chão)
- Assisti o Primal Scream, o Teenage Fanclub, o Black Rebel Motorcycle Club e o Eric Clapton
- Revi o Pearl Jam, o Faith no More e o Sonic Youth
- Fiz um show (não foi ótimo)
- Comi pizza (sério)
- Passei dos 60 quilos (sério)
- Reabri minha lojinha
- Conheci Community, Louie e Parks and Recreation
- Não corri nenhum risco de vida, o que eu não sei se é bom ou ruim
- Não posso dizer o mesmo de Cecília, a minha gatinha, que foi assassinada na manhã do dia 12 de outubro
- A micose nas unhas do meu pé sararam (e esse ganha o prêmio de grande acontecimento positivo do ano)
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Thiago Padula
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Distribuindo a gentileza
Domingo passado (ou ontem) eu fui passear com os meus pais, dessas coisas que você faz quando é criança ou quando é eu. Nós pegamos a caratuba de Pirivana caravana de Pirituba e fomos até Barra Bonita, uma pequena cidade do interior de São Paulo que tem outro rio Tietê, embora eles insistam em dizer que é o mesmo. Aí que basicamente lá rola uma volta de navio por uma eclusa - um elevador de água que dizem ser uma fantástica obra de engenharia quando todo mundo vê que é bruxaria pura - e pelo rio durante longas paisagens que só tem água embaixo, um pedaço de terra no meio e o céu acima. Água, terra e ar, vejam bem, só falta o fogo pra chamarmos o Capitão Planeta.
"Não, amigo, falta também o coração"
E é sobre isso que eu quero falar. Como aparentemente a principal atividade turística da cidade são os passeios de navio, vários deles saem ao mesmo tempo e fazem o mesmo percurso. E nos momentos em que os barcos se cruzavam, acontecia algo que me chocava intensamente: as pessoas acenavam, davam tchau, mandavam beijos para as pessoas dos outros barcos.
"O que está acontecendo?!", pensei, transtornado. Por que essas pessoas não estão mostrando o dedo do meio, mandando tomar no cu, disparando aquela agressividade gratuita que faz nós sermos o que somos de verdade? Nada. E aquilo me fez refletir, sabe. Sobre como realmente é mais gratificante ser legal com as pessoas, sobre como o amor traz mais conforto que o ódio, sobre como gentileza gera gentileza. Por que não ser bacana com outras pessoas? Por que não ser educado, atencioso, prestativo? O que aconteceu conosco (não venha me dizer que eu sou o único, te conheço) que tudo precisa ser sarcástico, ríspido, cortante, feroz? Por que vivemos a vida como se estivéssemos nos comentários de um blog?
E aquela simplicidade, aquela ternura de pessoas que nem devem ter acesso à internet porque estão velhas demais pra conseguir entender esses vídeos pornográficos de baixa definição que jorram por aí me tocou. Me fez ser melhor. Me mostrou que não é só o aceno ou o "bom dia", mas é o sentimento positivo permanente que vale a pena. Só isso já te faz querer acordar todo dia.
Então passa uma lancha com um cara deitado de bruços e todo mundo começa a gritar "bicha, bicha, bicha". Cambada de filhos da puta.
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Thiago Padula
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terça-feira, 22 de novembro de 2011
Tonight I'm a rock 'n' roll star
Quem acompanha o blog há mais tempo já deve ter lido nele algumas indicações sutis de que eu faço parte de uma banda, o Volto Logo Joyce (é, pois é) - e que meu talento como compositor é um tanto discutível. Pois então, chegou a hora da verdade: vamos, finalmente, enfim, socorromeudeus, nos apresentar para pessoas, não somente quatro paredes com isolamento acústico.
O show (por assim dizer) acontece nesse próximo sábado, dia 26 de novembro, e começa às 22 horas (10 horas da noite, para os não tão espertos). É num simpático (nunca fui) bar na Vila Madalena, à Rua Inácio Pereira da Rocha, 273. Ah, em São Paulo e tal. Tem até um evento no Facebook, ó: http://www.facebook.com/events/180340705390024/
Eu nunca consegui explicar para as pessoas como é o som da banda, mas pensem que o compositor gosta muito de Wilco e todos os outros integrantes detestam, então tentam transformar as músicas em coisas do Weezer. E, dessa maneira, eu mais uma vez não consegui explicar.
Qualquer pobre leitor desse ignóbil blog pode comparecer, e, por via das dúvidas, o careca magrelo de guitarra vermelha NÃO sou eu. A menos que você goste do que vai ouvir, o que seria estranho - mas até aí, pra quem lê esse blog... sem ofensas.
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Thiago Padula
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