domingo, 24 de maio de 2009

Versão brasileira

Volta e meia, nas conversas com os coleguinhas da firma, falamos dos desenhos animados de outrora. Em geral, o assunto passa por Caverna do Dragão (sempre tem um idiota que detesta), Cavaleiros do Zodíaco (sempre tem um idiota que detesta) e Pica-Pau (sempre tem um idiota que lembra de todos os episódios).

E também tem idiota que fica quase um mês sem escrever no blog e quando aparece é pra vomitar mais uma de suas listinhas sem o menor critério ou interessantabilidade. Como na evolução do PowerPoint para o YouTube como repositório de constrangimento nostálgico coletivo as aberturas do desenhos são frequentemente relembradas, decidi citar aqui meus três temas despreferidos de animações - ou whatever. Um deles não é exatamente desenho, mas tem o mesmo espírito.

Acho que não caberia fazer uma lista das melhores músicas porque é óbvio que a de Ducktales chuta bundas. Vamos, portanto, às piores:

3 - Bananas de Pijamas

Um bom programa infantil começa por uma boa música... not. Basta lembrar a de Thundercats, que apesar de não ser tão ruim quanto o merde de la merde que está aqui, é vergonhosamente não condizente com a qualidade do desenho. Anyway...

... O assunto é essa atrocidade chamada 'Bananas de Pijamas'. Claro, o público alvo (e acho que, nesse caso, 'alvo' é bem o termo) é o infantil, e eu já não tinha idade pra gostar dessas coisas quando passou na TV por aqui, mas não muda o fato de que a música é um ultraje. E tipo, sério, quem foi o imbecil que achou que seria uma boa idéia ensacar duas bananas no uniforme do Paysandu?

Analisando a letra:

Bananas de pijamas
Descendo as escadas
Bananas de pijamas
Uma dupla bem levada
Se você viu a abertura (vídeo abaixo), percebeu que ele só fez a rima fácil porque as bananas de fato estavam descendo as escadas. Imagino que se os dois estivessem na banheira, seria algo do tipo Bananas de pijamas/Tomando um belo banho/Bananas de pijamas/Um é mudo e o outro fanho.
Hm, nah.

Bananas de pijamas
Aprontando pra valer
Regra básica da música infantil: ter pelo menos um termo de tiozão. No caso é o 'pra valer'.
Brincando com os ursinhos
Bananas brincando com ursinhos?
Cantando pra você
Entrei na feira da fruta...



2 - Digimon

Essa é particularmente legal porque é, digamos, ambiciosa. A Globo andava levando um senhor cacete da Record na programação matinal, graças ao tal do Pokémon. Pra combater o femônemo, eles decidiram investir pesado: pegaram o principal concorrente (leia-se cópia) do sucesso da Nintendo, anunciaram no intervalo do Fantástico e até fizeram a gravação da música tema com a Angélica.

Claro, é a Angélica, mas a Globo realmente acha que essas loiras fazem sucesso com a criançada, vide a Xuxa que tá aí até hoje. O desenho fracassou por seus próprios deméritos, mas é fácil imaginar quantas pessoas desligaram a TV durante a música tema, tão frouxa quanto um lado B da, ahn, Angélica.

Analisando a letra:

Digimon Digitais
Digimons são campeões
Até agora nada faz sentido.
Digimon Digitais
Digimons são campeões
Mesmo repetindo, continua não fazendo sentido.
Eles vão se transformar
Para o seu mundo salvar
O meu ou o deles? Tipo, se for o deles, qual a graça?
Juntos combatem o mal
Claro.
São os guerreiros da paz
Possivelmente uma das antíteses mais gritantes da história.
Nesse lugar virtual
Os digimons são demais
Porque nesse lugar real eles são apenas uns bostas.
Digimon Digitais
Digimons são campeões
Ainda nada.
Digimon Digitais
Digimons são campeões
Aaaaah, agora... perae, não.
Basta o perigo chegar
Eles virão pra salvar
Claro, primeiro todo mundo caga nas calças de medo, depois eles chegam por cima da carne seca, quando um monte de gente já morreu.
São os amigos da paz
BFF.
Os digimons são demais
Advérbio de intensidade.
Digimon Digitais
Digimons são campeões
Meu problema é: o que há de mais em ser digital? Meu relógio é digital, e nem por isso é campeão de nada.
Digimon Digitais
Digimons são campeões
Sério, já tá começando a dar no saco.
Digimon Digitais
Digimon.
Ufa.

Vê a bagaça aqui (a campeã não libera o embed): http://www.youtube.com/watch?v=n6EqPoGZ5Zo

1 - Cavalo de Fogo

Não vou nem apontar o dedo e dizer que esse é o pior desenho de todos, porque isso implicaria em ter que assisti-lo, e portanto ouvir à música de abertura todos os dias. Tô suave.

Mas toda vez que eu critico essa desgraça a resposta vem de imediato: 'é desenho de menina'. Essa eu nunca engoli, porque até onde eu saiba mau gosto não tem flexão de gênero. Vamos lá, mulherada, não se subestimem. Vocês podem gostar de coisa melhor. Algo que não seja um cavalo ROXO de cabelos VERMELHOS que transporta uma princesa bastarda de uma dimensão pra outra. Nunca saquei porque nesses desenhos os membros da família real sempre têm algum tipo de poder mágico. Aparentemente a monarquia ainda era o regime de governo predominante nos anos 80.

Analisando a letra:

No meu sonho eu já vivi um lindo conto infantil
Tudo era magia
Era um mundo fora do meu
E ao chegar desse sonho acordei
Foi quando correndo eu vi
Um cavalo de fogo alí
Que tocou meu coração
Quando me disse então
Que um dia raiIiIinha eu seria
Ai.
Se com a maldade pudesse acabar
No mundo dos sonhos pudeEeEsse chegaAaAr
Nossa.

Nenhum problema com a letra aqui. Música ruim de verdade é assim: nada de pequenos detalhes pra ficar se apegando, simplesmente um grande bloco de bosta. Tá de parabéns.



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Mas assim, eu devo ter esquecido vários, né? Tem algum tema horroroso que vocês acham que vale a pena ser mencionado? Cita aí nos comentários, por gentileza.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Deixem os porcos em paz

Repito: deixem os porcos em paz. Tipo, sério. Chega uma hora em que um homem honrado precisa bater o pé e proteger uma espécie que não pode se defender sozinha. Como não encontrei nenhum homem honrado, vou eu mesmo.

Eu não sei em que ponto da história foi que a humanidade achou que os nobres suínos deveriam simbolizar tudo que é ruim. Mas daí em diante, tudo que era claramente culpa dessa cambada de bípede pelado ganhou o selinho do porco. Ferrou com a vida de alguém? É espírito de porco. Pensa mais em dinheiro que qualquer outra coisa? É um porco capitalista. Torce pro Palmeiras? Bem...

Aliás, é típico dessa gentinha 'expiar' suas chagas transferindo-as pra quem não tem nada a ver com a história. É sempre o diabo, o porco, o Mumm-Ra.

Aí chegamos em 2009, e os porcos levam a culpa por uma gripe que sequer transmitem. No Egito, já querem exterminar toda a população suína! Eu tenho uma solução melhor: exterminem a população humana. Com todos mortos, a gripe não tem efeito nenhum.

Pois eu exijo um pedido de desculpas. Re-tra-ta-ção. Assim que acabar essa frescura de gripe, faço questão que esse gado suíno bonito de meu deus receba uma valiosa recompensa. E não falo de lavagem ou Oscar para o Babe. Quero, ao menos pra cada macho, uma punheta da Sabrina, igual essa:



Prazer, Napoleão.

domingo, 19 de abril de 2009

Sobre a sobrevivência

Eu sou, como talvez já tenha dito por aqui, um desistente profissional. Sabe aquela frase de adesivo de Kombi que diz 'lutar sempre, vencer talvez, desistir nunca'? A minha seria mais ou menos como 'lutar talvez, vencer nunca, desistir sempre'. E eu acho um saco esses ditados de PowerPoint sobre como é melhor a tristeza da derrota que a amargura de não ter tentado. Mentira, só se arrepende de não ter tentado quem fica se apegando a bobagens como otimismo.

Portanto, não é sem ser tomado por agradável surpresa que vejo que esse blog completa, hoje, dois anos de existência. Não me lembro de nenhum projeto (vamos chamá-lo assim) pessoal meu ter durado tanto. Até o Furúnculo, meu fanzine da época da faculdade, durou pouco mais de seis meses. E eu adorava fazer aquela porcaria.

O motivo do Vida de bosta ainda estar de pé é que ele me diverte. A cara do blog muda de tempos em tempos, embora não dê pra perceber muito. No começo, era mais como um acumulado de mimimis e opiniões desorganizadamente agrupadas. Hoje, eu uso principalmente pra fazer graça, mesmo que pra isso precise me humilhar (tipo, não levem a sério coisas como isso. As pessoas têm me evitado desde então. Era só brincadeira, pessoal).

Agora falando sério: também acho uma merda essa parada de ficar falando de si mesmo e pedindo aplauso só porque o diabo do blog faz aninhos. E eu não faria isso se tivesse outro assunto pra postar. Como não quero deixar a criança desmaiar por inanição, preciso periodicamente escrever algo, mesmo que seja sem nenhum propósito específico. Por sorte, calhou de ser aniversário da bagaça =)

Alguém sugere um tema pra eu enrolar na próxima semana?

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Síndrome do pinto pequeno

Eu passei os últimos dois dias no trabalho analisando currículos, porque a pilha já estava se acumulando e alguém precisava fazê-lo.

Depois de ler uns 130 e só aprovar cinco, cheguei a uma bifurcação: ou eu sou chato demais, ou as pessoas são ruins demais (talvez os dois). A minha chatice eu não vou conseguir consertar tão cedo, então resolvi criar um pequeno guia para o muito específico caso de alguém que lê isso mandar um currículo pra minha empresa e calhar dos dois designers importantes estarem muito ocupados e sobrar pra mim. Alguns desses toques podem servir pra vida, mas outros são só pra me agradar mesmo.


- Mande um link pro seu portfólio ou pra trabalhos que você fez. Nem precisa ser um portfólio todo bonitão, pode ser um blog ou Carbonmade da vida. Desde que dê pra ver o seu talento (ou falta de), tudo bem. Claro que se for um site próprio, com layout seu e tudo mais faz uma preza diferente, mas é melhor um link pro DeviantART que nada.

- Faça um currículo bonitinho. Vamos lá, eu sei que você é capaz. Times New Roman? Formatação do Word? Que raio de impressão alguém que se acha designer quer passar com uma merda dessa?

- Não seja metido. Não venha me dizer que é ideal para a vaga, porque isso não é você quem determina (nem eu, mas eu pelo menos conheço quem decide). E você não é 'dedicado, proativo, inovador e tem bom relacionamento interpessoal'. Se for, grande bosta, todo mundo também diz que é.

- Se você tem no currículo um campo 'Objetivo', tome muito cuidado. Especialmente se o seu objetivo é outro, tipo ser arquiteto da informação ou embalador (sério, li um desse), porque você pode mandar pra uma vaga dizendo que queria mesmo atuar em outra. Pega mal.

- Não queira ser formal demais, sério demais ou didático demais. E não escreva 'atuo na área à [sic] 5 (cinco) anos'. Eu sei como se soletra 'cinco', porque ao contrário de você, eu sou só um pouco burro.

- E sem esse papinho de que quer a vaga pra 'aprimorar meus conhecimentos e aprender com o ambiente dessa empresa'. Eu quero saber o que você pode me dar, não o que você quer. Pra isso você ganha salário, larga mão de ser sanguessuga.

- Evite colocar frases, citações e, principalmente, poesia. Além de não acrescentar nada, ainda corre o risco de pegar pela frente alguém que odeia poesia com todas as forças, tipo eu.

- Não coloque link pra Orkut ou blog (a menos que o blog seja relacionado à área de interesse), porque eu vou ler. Eu vou saber que você está tristinha porque ninguém quer te comer e que você bebeu demais no último almoço comemorativo da firma e passou a mão na bunda da gerente. E, pior, eu posso saber em quais comunidades você está. Nessa já vi um racista-chauvinista e um tarado-narcisista. Não quero um cara desses trabalhando na mesma sala que eu.

- Não ponha foto no currículo. Primeiro, porque não me interessa qual é a sua cara. Segundo, porque eu sei, eu tenho certeza, que você vai pôr uma foto horrível tirada num almoço de família, com os olhos vermelhos e a testa escorrendo óleo.

- Restrinja a lista de cursos feitos àqueles relacionados à área. Você fez um curso de culinária indiana? Juuura???? *peido com a boca*

- Toque bateria. Ainda não temos nenhum baterista na banda da empresa.

- Aprenda a escrever a porra do nome da sua profissão. Design NÃO É 'DESING', SEU QUADRÚPEDE! E antes que alguém diga que pode ter sido só um erro de digitação (imperdoável, diga-se; o mínimo que se espera é que o cara revise o currículo antes de mandar), gostaria de registrar que eu também li essa blasfêmia em LOGOS e até na URL DE UM SITE. Isso não é erro de digitação, é analfabetismo. Fora os que dizem que fazem designER.

- Na mesma linha do anterior, escreva direito o nome dos softwares que você diz que conhece. Tipo, de coração. Photoshop não é 'Foto Shop' e CorelDRAW não é 'Corel Drawn' (nem vou falar de 'In Desing', porque meio que se enquadra no tópico anterior). Sabe qual o problema aqui? É que toda vez que se abre um programa aparece a porra do nome dele escrito bem grande no meio da tela. Se você não sabe escrever o nome do desgraçado, é porque não usou tantas vezes quanto diz que usou.

- Essa é mais pessoal que as outras, porque me ofende profundamente: se tudo o que você faz é colocar uma foto no Illustrator e vetorizar por cima, você não é ilustrador. Você é só um macaco que copia o que já existe. Saca colocar papel vegetal por cima de uma imagem e desenhar por cima? É a mesma coisa.

- E por último, se quer mandar currículo pra empresas e dar a cara a tapa pro mercado, esteja ciente de que eu vou te zoar, ironizar e escorraçar (só pelas costas, claro, porque eu sou covarde). Eu posso ser um designer ruinzinho, mas pra xingar eu mando benzaço.

terça-feira, 24 de março de 2009

You and whose army?

Várias pessoas (duas) me pediram pra escrever aqui minhas impressões sobre o show do Radiohead. Eu bem que tentei ontem, mas quando vi que no texto tinha muito 'lindo', 'maravilhoso' e 'sensacional', parei por aí. Eu sei (e você sabe) que no fundo eu sou só um menino sozinho e cheio de ídolos, mas nesse blog eu tenho que manter a aparência de cara revoltado e 'do mal'.

No post anterior eu disse que o problema do ônibus te tornar uma pessoa pior é inevitável. Errei, e errei grandão. Porque o que todo mundo passou até a hora do show - e principalmente depois - põe no chinelo qualquer viagem Terminal Pirituba - Praça Ramos. Da má educação dos seguranças e despeito dos guardas da CET à zoação das putas da região, li relatos de gente reclamando de praticamente tudo - um ou dois inclusive do show. Mas, em geral, o sentimento foi de que valeu a pena.

Que é mais ou menos o sentimento de recompensa que abate o coitado do burro na busca do raio da cenoura que está sempre a um palmo do focinho, mas nunca chega. Segundo imaginou a organização do evento, de burro e louco todo mundo tem um pouco, e se esse todo mundo ainda topou pagar 200 reais por isso, não dá nem pra restringir as porções desses adjetivos a 'um pouco'. E quando 30 mil malucos berram e se descabelam e, em menor escala, cantam 'I'm a creep, I'm a weirdo', fica difícil tirar a razão da produtora em pensar isso.

Mas o Radiohead juntou seu pequeno exército de esquisitos e entregou a eles o que foi possivelmente um dos melhores shows de suas vidas. O palco era lindo, o set list maravilhoso e a interação entre banda e público sensacional (opa). Grandes shows deixam marcas, e as minhas vão desde a memória nítida de cantar Paranoid Android para o Radiohead até o registro físico de ficar com tantas dores no corpo no dia seguinte que andava como se tivesse sido estuprado por um cavalo.

Podemos até ser bizarros e esquisitos, mas se há algum lugar no mundo a que pertencemos, era na frente daquele palco, naquelas duas horas.

Por isso, senhor secretário do transporte, se quiser evitar que os coletivos virem escola de estressados e psicopatas, dê a cada usuário, quando chegar em seu destino, um show do Radiohead. Como retratação. Porque a gente chia e reclama, mas já deu pra perceber que respeito não é de graça. E, até onde sei, custa mais de 200 reais.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Magic bus

Numa cidade tão grande e populosa como São Paulo, é natural que os transportes públicos coletivos tenham diversos problemas. Reclama-se do estado dos veículos, do preço das passagens, da superlotação, da falta de conforto, etc, etc, etc. Mas se você me permitir fazer uma observação (se não permitir, suma daqui), pra mim o grande mal do transporte coletivo é que ele te transforma em uma pessoa pior.

(Vou me referir aqui sempre aos ônibus, porque é o único meio que uso. Mas faça as devidas adaptações pra metrô, trem, etc)

Olha só, eu me considero um cara legal. Devolvo o troco no mercado quando vem a mais, ajudo uma pessoa a recolher as coisas que deixou cair no chão, oriento a direção direitinho pra quem me pergunta. E eu sei que tem bastante gente no mundo que é boa também. Mas é só subir num ônibus que a bacanitude e a gente bonice ficam da porta pra fora.

Ali dentro somos todos animais. Bestas selvagens e egoístas que só pensam na própria sobrevivência. Não existe tolerância a ninguém, e supostos atos de altruísmo são nada mais que delicadas táticas de guerra. No ônibus impera o nazismo, ou seu equivalente no repúdio às minorias: velhos, gordos, grávidas, bêbados, crianças, todas essas criaturas que deveriam ficar da catraca pra frente, o reservado espaço para os leprosos do coletivo.

Se alguém quer só um espacinho no puta que pariu pra se segurar e não capotar no meio do ônibus, você abre os braços e finge que tá lotado. Se um idoso fica de pé ao seu lado no banco, você dorme. Se um obeso passa andando no meio do corredor, você segura no cano de cima e dobra o corpo pra frente, passando o pipiu na cara de quem tá sentado. Se chove, é uma briga de foice pela conquista da janela entre quem está sentado e quem está de pé, os primeiros pra não se molhar, os segundos pra respirar. Não há ética, não há gentileza, não há caráter.

O ônibus é algum tipo de zéfiro do espaço-tempo, um lugar onde o apocalipse já aconteceu, e só resta aos humanos sobreviventes lutarem pela carne. Mas o que vai se fazer? É por isso que sempre que surge um novo serial killer, colocam a culpa em algum filme, música ou jogo. É uma maneira de desviar o foco da verdade que é óbvia, mas inevitável.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Existem mil garotas com quem eu quero passear

Eu não sou uma metamorfose ambulante, mas as opiniões que tenho a meu respeito costumam variar bastante. Hoje, por exemplo, cheguei à conclusão de que devo ser tarado. Eu me apaixono fácil demais (num jeito masculino de se apaixonar), mas ultimamente a coisa tá saindo perigosamente do controle. É ver uma mulher bonita na rua e eu estou lá, cataléptico, com a saliva correndo pelo canto da boca. Se a moça é bonitinha, meu coração bate tão forte que dá pra ver através da camiseta. Mas se a moça é linda, vamos dizer que não é só meu coração que dá pra ver pela roupa.

Ainda estou tentando entender como um ser humano atinge tamanho nível de degradação moral. Já descobri que não é carência, porque a) perguntei pra outros caras, casados e enrolados, e eles me disseram sentir o mesmo (e que a coisa só piora com a idade); e b) estou num relacionamento muito sério e sólido com a minha senhora, a mão direita.

O pior é que eu trabalho num bairro que só tem mulher bonita (ou isso ou meu filtro está deixando passar qualquer uma que não tenha uma pereba na cara ou uma tatuagem do Corinthians no braço). Não estou naquele ponto em que tenho vontade de estuprar qualquer menina no meio da rua - prefiro um lugar mais reservado, tipo um beco -, mas ainda assim me preocupo. E se tive o deslavamento de escrever tudo isso aqui, num espaço em que a maioria das pessoas que lê me conhece, é porque a doença me consome a uma velocidade impressionante.

Vou procurar um psicólogo, então se conhecerem algum bom, por favor me indiquem. De preferência se for mulher e não tiver uma pereba na cara ou uma tatuagem do Corinthians no braço.