Uma das coisas que diferem os homens das mulheres é o respeito e paixão que os peludos têm por suas raízes símias. Enquanto as mulheres têm sempre essa coisa de se embonitecer, os homens gostam de, periodicamente, parar e buscar a paz interior através de um contato mais profundo com o australopiteco que existe dentro de cada um.
Evidência disso é o peculiar jogo chamado truco. Ali, com um punhado de cartas na mão e em volta de uma mesa qualquer que faz lembrar os planaltos da saudosa Neandertal, um agrupamento de homens encarna os mais antigos rituais de guerra, que vai desde a dominação do território (regra básica do truco, sempre fazer a primeira), os gritos primais ('truco!', 'seis!'), e, eventualmente, o golpe de misericórdia desferido pelo grupo vencedor (a fatal colada de zap na testa).
Não sou fã de truco, embora o prefira a pôquer, que é jogo de quem se penteia. Mas tenho pra mim que essa conexão com o homem-primata-capitalismo-selvagem-ôôô que o truco proporciona pode preservar o futuro da raça humana.
Vem comigo: já está mais do que provado, pelos filmes e tal, que um dia uma cambada de alienígenas vai chegar aqui e fuder com tudo. Se eles não nos dizimarem, e nos fizerem seus escravos, nós não teremos mais nossa tecnologia, nosso poder bélico, nossas esferas do dragão nossos recursos conquistados e aprimorados com o correr dos tempos. Só nos restará, então, nosso instinto de sobrevivência, o motivo pelo qual deus resolveu nos tirar uma costela e não as bolas. E aí, meus amigo, minhas amiga, aquele fiozinho de trogloditagem que permaneceu aceso dentro dos nossos corações poderá ser a chave para a libertação e o futuro da nação.
Ou não.
sábado, 5 de julho de 2008
Trucaraio
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Thiago Padula
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Marcadores: Verdades
terça-feira, 1 de julho de 2008
Dã
Não acho que vá deixar ninguém chocado com essa revelação, mas vá lá: eu sou bobo. Muito bobo. Mas isso não é um problema, as mulheres adoram, elas riem, te chamam de bobo e te dão um tapinha no braço. O problema é parecer bobo, e nesse quadradinho você pode marcar um xis pra mim também.
Eu tenho uma cara de idiota fenomenal. Não sei se é o óculos, o cabelo ralo, as bochechas de buldogue velho ou nada disso ou tudo isso. O fato é que eu tenho cara de bobo e ponto.
Aí eu fui no mercado sábado passado e comecei a pensar no assunto. E mercado, sacomé, você olha coisas, analisa, fica sempre fazendo aquela expressão contemplativa. Expressão contemplativa que, como é de conhecimento geral, é um nome mais perfumado pra 'cara de bobo'. E então, notando isso, tentei mudar a feição, sei lá. Claro que o máximo que consegui foi fazer uma cara de tapado diferente, mas quem porventura resolveu fixar seu olhar em mim por alguns segundos viu toda uma interpolação de expressões quiquescas que dariam um bom emoticon pra substituir a palavra 'retardado'.
Fui então para o caixa, com dois carrinhos cheios de compras, e comecei a despejar as bolachas e os sabonetes e os refrigerantes e os detergentes e os Toddynhos e mais uma caralhada de coisas. Uma cara de bobo não incomoda ninguém, mas quando ela te faz esperar muito tempo na fila vira um gordo no banco do ônibus. Eu podia sentir as flechas, os raios, os olhares furiosos em minha direção. O rapaz do mercado teve a brilhante idéia de colocar o carrinho no corredor, de modo que, visualiza, em determinado momento só tinha coisas láááá na ponta contrária, e eu era obrigado a esfregar a barriga na barra do carrinho pra tentar alcançar. Nisso, minha bunda ia lá em cima, e a calça ia lá embaixo. Se eles estavam putos com minha cara de bobo, o que estariam pensando então da metade de cima do meu boga?
Já vi cara de bobo, e cara de cu, mas cu de bobo? Essa é nova.
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Thiago Padula
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12:22
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domingo, 29 de junho de 2008
Após a Eurocopa...
Ele pode até ter perdido, mas diz aí: Schweinsteiger é ou não é o nome mais legal da história do futebol?
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Thiago Padula
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19:30
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Marcadores: Futebol, Inutilidades
sábado, 28 de junho de 2008
Conversa de nerd
Se você lê as bobagens que eu escrevo aqui há algum tempo (você lê há algum tempo, não eu escrevo há algum tempo. Claro, eu também escrevo há algum tempo, senão o que você teria pra ler?, mas eu quis falar de quem já é leitor antigo, e se você não é, depois desse parênteses já deve estar procurando o caminho da barra de endereços do Firefox browser. Por favor, não me abandone), sabe que eu tenho um Wii, que comprei juntando as migalhas dos meus trabalhos como pedreiro, e que eu tava maior empolgado, maior feliz, aí vem a revolução, etceterétera.
E, veja bem, você pode estar pensando por esse primeiro parágrafo suando decepção que eu estou arrependido e tal. Nem é. Tem jogos ótimos, tem SSBB, tem Mario Galaxy e tem Okami. Mas me preocupa a maneira como os tais controles revolucionários têm sido aproveitados nos jogos. Já se passaram quase dois anos do lançamento e o jogo que mais conseguiu se aproximar da imersão prometida foi o Wii Sports, justamente o primeiro game que saiu com a bagaça. Depois de um tempo, é tudo muito óbvio e preguiçoso, tudo baseado em chacoalhar o controle, mas nada disso nos joga de verdade dentro da tela como faz o Wii Boxing, por exemplo (e, nesse caso, 'jogar dentro da tela' é bem o termo). Talvez o Wii Fit, mas porra, isso não é jogo.
O motivo de eu ter escolhido o Wii pra comprar, ao invés de qualquer outro dessa geração nova, é que ele estava, na minha cabeça, muito à frente dos seus concorrentes. Desisti do Metal Gear 4, do Final Fantasy 13 e do GTA 4 por um controle que me transforma na porra do herói do jogo. E até agora, o máximo que eu consegui foi ser um mestre do boliche. Nada contra os praticantes e amantes desse nobre jogo, mas eu queria mesmo destruir estrelas, não derrubar pinos.
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Thiago Padula
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13:21
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quinta-feira, 26 de junho de 2008
Senta que lá vem história
Eu sempre gostei de boas histórias, e sempre quis ter boas histórias pra contar. Como não tenho, com o tempo fui tentando desenvolver a maneira de contá-las, de modo a tentar fazer as pessoas acharem graça em algo que eu, sem o verniz vistoso das palavras, só enxergo mediocridade.
Falo isso porque ontem fui ao bar com alguns companheiros assalariados para saudar a volta a terra brasilis de um camarada que trabalhou por muito tempo na mesma empresa que nós, e depois resolveu percorrer esse mundo de meu deus. Não cheguei a conhecê-lo antes da partida, de modo que esse foi nosso primeiro encontro, e ele, claro, tinha centenas de histórias para contar aos ouvidos ansiosos da mesa, categoria que não me incluía pois eu, afinal, sequer conhecia o rapaz.
Foi quando eu me dei conta de que boas histórias desfazem todos as barricadas sociais que a gente se impõe. Por natureza, ao menos em uma cidade tão grande, as pessoas se fecham para se proteger das outras pessoas, o que eu não reprovo. Mas o cidadão que possui um bom repertório de histórias pra contar tem grandes chances de desatar os nós que se põem entre nossas carcaças.
Aí eu decidi que quero, então, viver coisas diferentes pra ter histórias diferentes pra contar. Por mais que eu já tivesse obtido algum êxito na criação de mundos imaginários (a Padulândia, no ranking dos locais míticos que ninguém prova a existência, só perde para Atlântida, Eldorado e Acre), eu estou concentrado em começar a juntar material para a minha biografia. Afinal, não quero ter que comprar histórias para não ser conhecido como o cara que um dia deu uma nota de dez no busão e desceu pela porta da frente porque o cobrador não tinha troco. E também porque os meus assuntos precisam parar de girar em torno de Seinfeld e cocô, ou as pessoas não vão parar de me bloquear no MSN.
E lembra do Missão: ser humano? Ele volta. Afinal, já dizia o ditado, fogo ladeira acima e tédio ladeira abaixo, ninguém segura.
Ps: tô postando com meu chefe aqui do lado. O quão destemido é isso, hein? Capítulo garantido na minha biografia.
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Thiago Padula
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18:13
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quarta-feira, 11 de junho de 2008
Sobre o ódio (ou chupa, Coríntias)
Ah, Corinthians...
Sou louco por ti. Sou obcecado por ti. Te odeio como não odeio o maior dos meus inimigos. Por ti, meus preconceitos e meu sadismo se justificam. Por ti, meus piores sentimentos viram poesia.
Ah, Corinthians... como é bonito ver-te cair, ver-te sangrar, ver-te morrer. Tu, que ostentas teu refrão cristão, tão orgulhosamente quanto ostentas teus três dentes, deves estar feliz. Maloqueiro e sofredor, hein?
Ah, Corinthians... tu, que como Ícaro, ousaste cobiçar o que não te cabia, o trono dos vencedores. Agora, só te resta o chão. Nada como a realidade, não?
Chora, Corinthians. Abaixa a cabeça, corta os pulsos, volta para a segunda divisão, que é lugar de quem não tem história. Eu, daqui de cima, sigo sorrindo. Ah, Corinthians, eu nunca vou te abandonar.
Porque eu te odeio.
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Thiago Padula
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22:57
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Marcadores: Futebol
terça-feira, 10 de junho de 2008
Vou contar pra minha mãe
Todo mundo diz que minha mãe é mó legal. Eu falo pra alguém da minha mãe, e o alguém diz, 'porra, sua mãe é mó legal'. Legal, eu tenho uma mãe mó legal.
Mas, tipo, não é tão legal ter uma mãe mó legal. Digo, é, mas não tanto quanto ter um carro mó legal, uma roupa mó legal. Vou chegar numa menina na balada e dizer 'oi, eu ando de ônibus e me visto como um farrapo, mas minha mãe é mó legal'. Claro, andar de ônibus é bom pra desatolar o trânsito, e minha roupa é limpinha e cheirosa, porque minha mãe além de mó legal faz um serviço bem feito. Mas não embute sex-appeal. E eu não posso levar minha mãe na balada e pedir pra ela chegar na mina pra mim, já basta ela ter que ir comigo à pediatra.
Em matéria de conectividade social, eu não sou um cara com muitos atrativos. Quando eu era moleque, eu tinha uma bola de capotão, e era o máximo, todos queriam ser meus amigos. Hoje eu tenho um Wii que não funciona, e, mesmo que funcionasse, só serviria pra arrumar coleguinhas da mesma idade dos que eu arrumava com a bola de capotão. E não me venham com esse papinho de que isso não é importante, que o que vale é a pessoa ser legal, gente boa e yada yada yada, porque se eu tivesse um iate vocês iam ver os comentários desse blog bombando.
E, olha, nem é que eu ligue. Por mim, tudo bem ser o amigo engraçado (escrevo sobre isso outro dia, não me deixem esquecer), mas deve haver algo terrivelmente errado quando a melhor coisa sobre uma pessoa é a sua mãe. A culpa é, em boa parte, dessa maldita estrutura patriarcal da qual não conseguimos no livrar há milênios. As donas do lar não têm toda a importância que merecem. A mãe de Jesus era Maria e o pastor chuta a imagem dela. O pai dos KLB é o Franco e falta ter um altar pra ele no camarim do Raul Gil. Tá, não sejamos injustos, fazer três incompetentes sem talento se transformarem em fenômeno nacional é impressionante, mas parir o filho de deus numa manjedourazinha no cu do mundo e sendo virgem é algo que não se vê todo dia.
Será que eu corro o risco de um dia ficar como o Quico?
Esse texto foi escrito há muito tempo, quando o Wii ainda estava no conserto e o São Paulo jogava a Libertadores.
Hoje, o video game está recuperado e passa bem. Já meu coração tricolor...
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Thiago Padula
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15:28
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Marcadores: I hate myself and I wanna die
